Paris – Em Paris, a diáspora guineense manifestou-se, este sábado, dia 15 de Agosto, contra o referendo à nova Constituição, que será votada no dia 30 de Agosto. Os manifestantes também reivindicaram o regresso à ordem constitucional, na sequência do golpe de 23 de Novembro de 2025, e o fim da perseguição política.
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A manifestação começou pelas 14 horas locais deste sábado, 15 de Agosto, na Praça da República, no centro de Paris. À medida que os participantes chegavam, os organizadores colocavam em cartazes imagens de Umaro Sissoco Embaló ou do General Horta Inta-A, acompanhadas da palavra “criminoso”. Outros cartazes apelavam à libertação de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e presidente eleito do Parlamento guineense.
A principal reivindicação dos manifestantes era o abandono da nova Constituição, apresentada oficialmente pelo Governo de transição no dia 13 de Agosto, em Bissau, e que será submetida a referendo, previsto para 30 de Agosto.
Esta Constituição traz mudanças profundas na estrutura do Estado, nomeadamente a redução do poder do Parlamento, com o número de deputados a reduzir-se de 102 para 61, e o fortalecimento dos poderes presidenciais, com o Presidente da República a passar a acumular as funções de Chefe do Governo, presidindo ao Conselho de Ministros e sendo também presidente do Conselho da Defesa Nacional.
Francisco Sousa Graça, presidente do PAIGC em França, é um dos organizadores da manifestação e, para ele, este referendo serve para legitimar o regime. “Esse referendo não vai ajudar em nada o povo da Guiné-Bissau. Essa é a continuidade do golpe”, diz.
Face à questão do boicote da votação, Sousa Graça diz ser uma “faca de dois gumes”: “Participando na eleição, ir votar, mesmo com a intenção de votar não, ajuda a legitimar essa ditadura que está no país.”
Contudo, Sousa Graça explica que, mesmo que os guineenses boicotem a votação, o Governo de transição tem “sempre margem para dizer ou publicar resultados conforme eles quiserem”. “Os resultados vão ser publicados no Ministério do Interior, onde não há fiscalização de ninguém, nem da sociedade civil, nem dos partidos políticos.”
Já para Filinto Djaló de Pina, activista guineense pan-africanista e também organizador do protesto, o boicote parece ser a via a seguir, chamando todos os guineenses a “não aderir esse maquiavelismo que o regime tenta implementar na Guiné-Bissau”.
O regime não é legal. As pessoas que estão no poder são pessoas sem conhecimento na matéria institucional, como na matéria do Estado, na administração pública. Então, é por isso que pedimos ao povo guineense para não tomar parte neste referendo, porque não é legal.
Não foi um parlamento legítimo guineense que convocou o povo porque o Parlamento guineense legítimo foi impedido de pronunciar e impedido de funcionar de forma legal. É nessa base que não podemos aceitar.
Acabamos de ver que o próprio presidente da Assembleia Nacional Popular, o engenheiro Domingos Simões Pereira, foi sequestrado há mais de dez meses. Muitas pessoas foram assassinadas. Não há justiça na Guiné-Bissau. A democracia não existe neste momento.
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