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Quer escolher o próximo destino ou montar um roteiro diferente? Então pegue um livro. Não um guia de viagem stricto sensu. Mas obras que, com o sabor da crônica, levam o leitor por terras, mares, montanhas, ruas e memórias distantes. Com esse espírito de fazer as malas, selecionamos cinco títulos recentes que, em comum, permitem perambular por novas geografias, histórias e culturas – e, por que não, inspiram jornadas fora da caixa (e dos pacotes turísticos) na vida real.
Navegadores
Autora: Erika Fatland
Tradução: Leonardo Pinto Silva
Editora: Todavia
Páginas: 608
A norueguesa Erika Fatland é, provavelmente, a melhor cronista de viagem da atualidade. Depois de fazer fama explorando os domínios e as fronteiras da antiga União Soviética – numa combinação de imersões in loco com farta pesquisa -, ela decidiu seguir os passos do povo que inaugurou a Era dos Descobrimentos. Sim, os portugueses. Em Navegadores, a autora percorre as rotas oceânicas abertas pelos pioneiros desde o século XV, desvelando, a cada capítulo, ilhas, cabos e países, bem como personagens ilustres e desconhecidos que construíram essa longa história. É um ponto de vista particularmente inovador para nós, brasileiros e falantes do português. Pois, além de revisitar o passado que nos forjou (com dores e chagas ainda abertas), Fatland nos apresenta territórios e comunidades que compartilham nossa gênese colonial mas permanecem a léguas de distância do nosso imaginário, como Cabo Verde, Moçambique, Macau e o Timor Leste.
Viagem à Polônia
Autor: Alfred Döblin
Tradução: Luis S. Krausz
Editora: Hedra
Páginas: 376
Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, o escritor alemão de origem judaica Alfred Döblin, hoje reconhecido por romances como Berlin Alexanderplatz, empreendeu uma jornada por aquela que era a pátria dos judeus na Europa. Em Viagem à Polônia, uma iniciativa patrocinada pelo jornal em que publicava seus textos, o autor caminha pelas ruas, pelas tradições e pela história de um país em constante redefinição – e que, alguns anos depois, seria dilacerado pelas invasões nazistas. De cidade em cidade, Döblin nos leva aos guetos, sinagogas e outros espaços comunitários que mantiveram viva a religião judaica e lapidaram, no concreto e na cultura, a arquitetura de parte do Leste Europeu. São particularmente marcantes seus relatos de incursões aos recintos onde se veneravam populares rabinos, bem como seu passeio pelo icônico cemitério judaico de Varsóvia.

Ir Até Havana
Autor: Leonardo Padura
Tradução: Monica Stahel
Editora: Boitempo
Páginas: 288
O escritor Leonardo Padura nasceu, cresceu e vive na capital cubana. E fez da cidade o pano de fundo de muitos de seus livros, com destaque para os protagonizados pelo detetive Mario Conde. Em Ir Até Havana, ele nos serve de guia apresentando um microcosmo impregnado de memórias pessoais, coletivas e literárias. Padura ama essa cidade. Mas não a poupa de críticas. E é nesse contato íntimo com a ilha que ele conhece tão bem que emergem reflexões capazes de transpor barreiras geográficas. Como a que suscita seu conceito de “alhenitude”, aquele sentimento que “acontece quando o que é nosso começa a nos parecer estranho”, uma percepção talvez universal, mas ainda mais aguda em cidades como a velha Havana, que “reclama afetos” e hoje talvez “receba menos carícias do que nunca”, turvando, assim, o próprio “senso de pertencimento” de um dos mais famosos cidadãos cubanos.

Nós Dizemos Não
Autor: Eduardo Galeano
Tradução: Sergio Faraco
Editora: L&PM
Páginas: 480
Poucas pessoas se embrenharam tanto na vida da América Latina como o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Uma amostra extraordinária de suas andanças, entrevistas e reportagens – todas com o estilo literário delicioso do autor – pode ser conferida na coletânea de crônicas Nós Dizemos Não, que reúne textos publicados entre 1963 e 1988. Galeano parte de episódios e experiências pontuais, sujando os sapatos e preenchendo bloquinhos de anotações como um bom repórter, para destrinchar a beleza e as feridas deste pedaço do mundo. Embora este livro não se restrinja ao território latino-americano, é nas veias abertas da região que sua prosa pulsa. Viajamos pela sua terra natal, pela Argentina peronista, pelo Chile sob a ditadura de Pinochet, e entramos com ele nas favelas brasileiras, onde o culto a Exu desafia a moral cristã.
Ao Longo do Caminho Encantado
Autor: William Blacker
Tradução: Erika Nogueira Vieira
Editora: Âyiné
Páginas: 440
O britânico William Blacker teve uma ideia no início dos anos 1990: ir viver em um pedaço da Europa que não estivesse sufocado pela urbanização e pelo ritmo da civilização moderna. Pois ele encontrou o que procurava na Romênia, mais especificamente na região que abrange a Transilvânia e os Maramures. Travando contato com a comunidade local, que incluía saxões e ciganos, Blacker se estabeleceu ali levando a rotina da família que o acolheu, participando de cultivos, colheitas e ordenhas em lares que desconheciam luz elétrica e água encanada. Suas memórias pintam, assim, um cenário realmente idílico – e, como sugerem os acontecimentos narrados no livro, em vias de extinção. Ao Longo do Caminho Encantado oferece uma visão única das paisagens, das construções e dos habitantes de um recanto pouco conhecido do velho continente, um recanto que rende ao autor uma paixão cigana e a oportunidade de compartilhar o estilo de vida de um dos povos mais antigos e atacados ao longo da história.

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