Só 15% das escolas brasileiras têm aula de programação ou robótica. Entre as escolas públicas, esse número cai para 13%. Três líderes do Livres decidiram mudar essa realidade, em estados diferentes, com ferramentas diferentes.
Belo Horizonte: o esporte que já é indústria
Jogos eletrônicos geram emprego, atraem investimento e já são reconhecidos oficialmente como esporte em diversos países. Mesmo assim, poucas cidades brasileiras têm uma política pública dedicada ao setor. Em Belo Horizonte, a vereadora Marcela Trópia, Líder Livres, apresentou o PL 383/2025, que institui a Política Municipal de Fomento aos Jogos Eletrônicos e aos Esportes Eletrônicos. O projeto foi aprovado em primeiro turno por 38 votos a 1, com apoio de vereadores de seis partidos diferentes, e agora segue para votação definitiva.
Santa Catarina: da sala de aula ao mercado de jogos
Em Santa Catarina, o caminho começou muito antes, em 2009, com a criação do programa estadual SC Games, iniciativa que fomenta a indústria catarinense de jogos eletrônicos e forma jovens para o setor, com apoio a empresas e projetos de capacitação.
Hoje, o secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação, Nícola Martins, Líder Livres e ex-vereador de Criciúma, ajuda a conduzir a frente educacional do programa em nível estadual. É a mesma Secretaria que coordena o SC Games e concentra suas aulas presenciais na capital, Florianópolis, onde funciona a estrutura física do projeto. O projeto Novos Talentos oferece cursos gratuitos e presenciais de programação, arte e design de jogos para crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, sem nenhum custo para as famílias.
Só em 2025, o Novos Talentos formou 381 crianças e jovens, ultrapassando 2 mil formados desde a criação do programa. Para Nícola Martins, a tecnologia já representa quase 8% do PIB de Santa Catarina, e a meta é chegar a 10% em 2026, o que exige formar hoje os profissionais que vão sustentar esse crescimento.
Brusque: robótica desde o fundamental
Em Brusque, a Secretaria Municipal de Educação mantém o Laboratório Itinerante de Robótica Educacional, projeto que leva o ensino de robótica e pensamento computacional às escolas da rede municipal, do pré-escolar aos anos finais do ensino fundamental, usando furgões adaptados que circulam entre as unidades com kits de montagem, notebooks e chromebooks.
O resultado desse trabalho aparece todo ano na EduTech, evento que reuniu quase 120 projetos de alunos da rede municipal em novembro de 2025, incluindo soluções para acessibilidade, preservação ambiental e criações com sensores e LEDs. O prefeito e Líder Livres André Vechi, presente no evento, resumiu o objetivo da política: “Estamos trabalhando desde a base com conteúdos voltados à robótica, à tecnologia e à inovação, preparando nossos jovens para o mercado de trabalho e para a vida.”
Macatuba: formação em Indústria 4.0 fora da grade
Em Macatuba, o prefeito Anderson Ferreira, Líder Livres, abriu inscrições para cursos gratuitos de Indústria 4.0, voltados a jovens de 15 a 29 anos, fora do horário de aula. O conteúdo aborda automação, robótica industrial e novas tecnologias de produção, buscando qualificar jovens para vagas que empresas da região já procuram e não encontram na força de trabalho local.
Por que isso importa
O Livres já discutiu modelos de gestão da educação pública em Encontros do Conselho Acadêmico com participação de André Portela, professor da FGV/EESP. Um dos pontos centrais desses debates é que a diversificação de modelos de escola, incluindo currículos mais conectados à tecnologia e a setores econômicos em expansão, tende a produzir resultados de aprendizado melhores do que um modelo único e rígido aplicado da mesma forma em todo o país.
Games, robótica e tecnologia não substituem o conteúdo tradicional da escola. Mas ignorar esses setores também tem custo: cada ano sem preparar o aluno para uma economia que já é digital é um ano de vantagem perdida, num mercado que não vai esperar o Brasil se atualizar.
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