Zurique e Mônaco redesenham o mapa global do luxo

O luxo global ganhou um novo retrato em 2026. O mais recente Global Wealth and Lifestyle Report, divulgado pela gestora suíça Julius Baer, mostra que o custo de viver cercado por experiências e bens exclusivos continua em alta — e que algumas cidades estão se consolidando como verdadeiros símbolos desse mercado.

Pelo segundo ano consecutivo, Singapura permanece na liderança do ranking das cidades mais caras para manter um estilo de vida de alto padrão. Mas a grande movimentação desta edição acontece logo atrás: Zurique avançou três posições e assumiu o segundo lugar, enquanto Mônaco alcançou, pela primeira vez desde a criação do estudo, um lugar no pódio. Londres, presença constante entre os primeiros colocados, caiu para a quarta posição, seguida por Hong Kong.

A ascensão da cidade suíça reflete, sobretudo, a valorização do franco suíço, considerada um porto seguro em momentos de instabilidade econômica mundial. Já Singapura continua impulsionada pelos altos preços dos imóveis residenciais, do mercado automotivo e pela força de sua moeda, fatores que exercem grande peso na metodologia do levantamento.

“O que fica claro em 2026 é que o mundo continua sendo um lugar complicado, e a incerteza permanece em um nível muito elevado. Neste contexto, as cidades e os países estáveis se tornam ainda mais atrativos”, afirma Christian Gattiker, diretor de pesquisa da Julius Baer.

O levantamento analisa o custo de uma seleção de bens e experiências que fazem parte da rotina de consumidores de alta renda. Entre eles estão imóveis residenciais, automóveis, voos em classe executiva, mensalidades escolares internacionais, joias, relógios, procedimentos de saúde, gastronomia de alta cozinha e outros serviços associados ao universo do luxo.

A pesquisa ouviu 360 pessoas com patrimônio financeiro superior a US$ 1 milhão entre fevereiro e março deste ano e concluiu que manter esse estilo de vida ficou, em média, 10,2% mais caro nos últimos doze meses quando os valores são convertidos para dólar.

Entre os itens que mais registraram valorização estão as joias, que avançaram 16,4%, refletindo a forte alta do ouro no mercado internacional, seguidas pelos relógios de luxo, cujo preço subiu 15,5%.

O ranking também revelou mudanças importantes em outros mercados. Dubai, que vinha ocupando posições de destaque, caiu para o 14º lugar. Segundo a Julius Baer, a mudança não significa que a cidade tenha se tornado mais acessível, mas sim que outras capitais apresentaram aumentos ainda mais expressivos no custo de vida premium. A instituição ressalta ainda que o cenário no Oriente Médio mudou significativamente após a coleta dos dados, tornando as perspectivas para a região mais incertas.

Outra protagonista desta edição é Sydney. A cidade australiana foi a que mais avançou na classificação, saltando seis posições e entrando no grupo das dez mais caras do mundo para o público de alta renda. A valorização do dólar australiano e os elevados custos para importar produtos exclusivos ajudaram a impulsionar esse desempenho.

Pela primeira vez em três anos, nenhuma cidade das Américas aparece entre as dez primeiras colocadas. Apesar da valorização dos preços locais, a desvalorização do dólar americano frente a outras moedas reduziu o peso das cidades da região no ranking global. Ainda assim, o relatório destaca que a América do Norte segue concentrando uma das maiores gerações de riqueza do mundo: quase metade dos entrevistados afirmou ter ampliado significativamente seu patrimônio ao longo do último ano.

 

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