Vulcão que matou 30.000 pessoas desperta após décadas

O Monte Pelée, vulcão localizado na ilha caribenha da Martinica e responsável por uma das erupções mais devastadoras da história moderna, voltou a chamar a atenção dos cientistas após apresentar um aumento significativo em sua atividade sísmica. Dados divulgados pelo Observatório Vulcanológico e Sismológico da Martinica mostram que, entre os dias 24 e 31 de julho, foram registrados 124 terremotos vulcânicos, quase o triplo dos 45 contabilizados na semana anterior.

Ao longo de todo o mês de julho, os equipamentos de monitoramento detectaram 331 abalos sísmicos relacionados ao vulcão. Segundo os pesquisadores, esse tipo de tremor costuma ocorrer quando magma ou fluidos superaquecidos exercem pressão sobre as rochas subterrâneas, provocando fraturas. Apesar disso, os especialistas ressaltam que o aumento da atividade não significa, necessariamente, que uma erupção seja iminente.

Atividade do vulcão

Além dos terremotos, os cientistas observaram uma lenta deformação do terreno ao redor do cume do Monte Pelée. Desde maio, o solo tem se elevado cerca de um centímetro por mês, indicando a existência de uma fonte de pressão localizada a aproximadamente um quilômetro de profundidade. Embora a velocidade desse movimento tenha diminuído nas últimas semanas, o fenômeno continua sendo acompanhado de perto.

O nível de alerta permanece na cor amarela, classificação que indica um estado de vigilância devido ao aumento da atividade interna do vulcão. Em comunicado, o observatório informou que a probabilidade de uma erupção no curto prazo continua baixa, mas não descarta mudanças no comportamento do sistema ao longo das próximas semanas ou meses.

O Monte Pelée entrou para a história em 1902, quando uma violenta erupção destruiu a cidade de Saint-Pierre em poucos minutos. Uma nuvem de gases superaquecidos, cinzas e fragmentos de rocha matou cerca de 30 mil pessoas, tornando o episódio uma das maiores tragédias vulcânicas já registradas. O vulcão voltou a entrar em erupção entre 1929 e 1932.

Caso uma nova erupção de grande intensidade ocorra, especialistas alertam que nuvens de cinzas podem afetar rotas aéreas no Caribe, já que partículas vulcânicas representam risco para motores de aeronaves e podem reduzir drasticamente a visibilidade durante os voos. Até o momento, porém, não há qualquer indicação de ameaça direta a regiões mais distantes, como a Flórida, nos Estados Unidos.


Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.

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