Numa entrevista publicada pela revista norte-americana Time, Rodríguez afirmou que a sua prioridade é garantir a estabilidade política e o bem-estar da população venezuelana.
“Começo por agir de boa-fé e confiando que estas relações se possam desenvolver de forma correta. A minha estratégia atual e futura sempre foi garantir a paz e a tranquilidade no país, bem como o bem-estar social e económico”, assegurou a líder interina.
Segundo a revista Time, que cita responsáveis dos governos norte-americano e venezuelano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, supervisiona o mecanismo que regula as receitas petrolíferas e as finanças públicas da Venezuela, mantendo contactos quase diários com Rodríguez por telefone e mensagens.
A líder venezuelana considerou que existem áreas em que os dois países podem cooperar, nomeadamente no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.
“O importante é que existem oportunidades para a cooperação conjunta, contra o tráfico de droga, por exemplo, e contra o crime organizado transnacional. Isto é muito importante para nós”, afirmou a Presidente interina.
Rodríguez acrescentou esperar que “a Venezuela não se torne um peão na agenda política de nenhum outro país” e sublinhou que pretende impedir que a política interna de outros Estados condicione os interesses venezuelanos.
A entrevista surge vários meses depois de Nicolás Maduro ter sido detido, em 03 de janeiro, por autoridades norte-americanas, durante uma operação militar em Caracas, e transferido para uma prisão federal em Nova Iorque, onde aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo.
Rodríguez revelou ainda que, após a captura de Maduro, as autoridades do Qatar facilitaram um contacto telefónico entre si e Marco Rubio.
Segundo a dirigente venezuelana, o chefe da diplomacia norte-americana apresentou-lhe a alternativa entre aceitar as exigências de Washington ou enfrentar uma pressão militar contínua.
Um assessor citado pela Time afirmou que “não havia alternativas viáveis”.
A líder interina da Venezuela relatou que, no dia seguinte, contactou o Presidente norte-americano, Donald Trump, para discutir a possibilidade de restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países e identificar áreas de interesse comum.
Desde então, registou-se uma aproximação entre Caracas e Washington, com visitas de altos responsáveis norte-americanos à Venezuela, entre os quais o secretário da Energia, Chris Wright, e o secretário do Interior, Doug Burgum.
No mesmo artigo, a revista Time recorda que as empresas norte-americanas como a ExxonMobil e a ConocoPhillips regressaram ao mercado venezuelano e foram retomados os voos comerciais entre os dois países.
Leia Também: Delcy Rodríguez discute com FMI utilização das reservas para recuperação
Crédito: Link de origem