César do Paço diz estar a ser alvo de perseguição por apoiar financeiramente o partido de André Ventura
Um dos principais financiadores do Chega decidiu levar o Ministério Público português à barra de um tribunal norte-americano.
O caso remonta a 2023. César do Paço foi alvo de buscas na empresa que detém em Cascais, uma sucursal do império que construiu nos EUA.
Em causa estão os mesmos factos já investigados num processo aberto em Cabo Verde, um alegado suborno ao então ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Luís Filipe Tavares, a troco do cargo de cônsul honorário na Florida. A suspeita era a de que do Paço teria oferecido um Mercedes-Benz ao governante para garantir o cargo, mas as autoridades cabo-verdianas concluíram o contrário.
“Não resultam quaisquer indícios de que o arguido nomeou César do Paço como cônsul honorário e recebeu em troca a viatura Mercedes-Benz”, pode ler-se num despacho do Ministério Público de Cabo Verde. “A falta de elementos de prova seguros deve conduzir ao arquivamento da instrução”.
Mas numa reviravolta surpreendente para César do Paço, o Ministério Público português abriu uma nova investigação em Portugal. O empresário garante que é sobre os mesmos factos.
A TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, apurou que César do Paço foi constituído arguido esta quinta-feira por corrupção ativa. Contactado pela TVI, o multimilionário que detém o monopólio da venda de um componente usado para medicamentos contra a artrite nos EUA mostra-se indignado.
“O que eu não entendo é como é que há jurisdição portuguesa de um caso que não tem nada a ver com Portugal, que tem a ver com um país soberano que é Cabo Verde. Eu acho que eles se esquecem que Cabo Verde já não é território português”, disse do Paço à TVI.
Numa atitude inédita, o empresário decidiu passar ao contra-ataque e vai processar o Ministério Público. Acusa a Polícia Judiciária de ter levado informação sensível da sua empresa em Cascais durante as buscas feitas em 2023.
“Estiveram lá 11 horas e levaram informação privilegiada. A minha empresa é norte americana, registada em Portugal, e tenho jurisdição nos EUA”, referiu.
César do Paço diz-se perseguido pela justiça portuguesa por ser um dos principais financiadores do Chega e já deu ordem aos seus advogados para apresentarem queixa contra o Ministério Público português junto de um tribunal norte-americano por alegadas fugas de informação que possam comprometer a sua atividade profissional.
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