Terremotos na América do Sul comprometem condições de vida e direitos da população – Jornal da USP

“O quadro social de grande vulnerabilidade para as pessoas faz com que a extensão dos danos nos países menos desenvolvidos seja bastante profunda”, avalia Dallari

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O tema da coluna do professor Pedro Dallari veiculada hoje, dia 26 de agosto, é o impacto para os direitos humanos dos recentes terremotos ocorridos na Venezuela e na Colômbia. “São duas tragédias. Em 24 de junho, dois terremotos consecutivos atingiram a Venezuela. E, em 10 de agosto, um terremoto, também muito forte, atingiu a Colômbia. Isso no contexto de vários terremotos que têm ocorrido, em menor dimensão, no Peru, na Argentina e no Chile, ou seja, toda a região andina da América do Sul está sendo, de alguma maneira, afetada por esse encontro de placas subterrâneas que vêm provocando terremotos”, afirma Dallari.

Segundo o professor, “no caso da Venezuela, foram calculados mais de 6 mil mortos, com 60 mil moradias atingidas. E dados muito impressionantes afetando a população: cerca de 650 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas, incluindo 230 mil crianças, precisaram e precisam de assistência humanitária. Na Colômbia, o impacto do terremoto implicou mais de 300 mortos e mais de 4 mil feridos, com 100 mil pessoas precisando de assistência humanitária. No caso da Colômbia, também os dados da ONU indicam outro cálculo impressionante, que é o fato de que  75 mil crianças estão sem acesso às suas escolas, com mais de 1.600 instituições educacionais atingidas. É, portanto, uma grande tragédia que afeta um número muito expressivo de pessoas”.

Dallari avalia que o impacto de eventos dessa natureza para os direitos humanos “é muito impressionante, porque é agravado pelo quadro social problemático desses países, marcado por desigualdade social, dificuldades econômicas e um número expressivo de deslocados. No caso dos venezuelanos na Colômbia, por exemplo, são muitos deles refugiados, fugitivos dos conflitos políticos daquele país. Se os efeitos dos terremotos muitas vezes são inevitáveis, os terremotos são fatores da natureza que não são controláveis. O fato é que esse quadro social de grande vulnerabilidade para as pessoas faz com que, diferentemente do impacto mais restrito desse fenômeno em países desenvolvidos, a extensão dos danos nos países menos desenvolvidos, e é o que ocorreu na América do Sul, seja bastante profunda”.

“Nós tomamos conhecimento eventualmente de terremotos no Japão, por exemplo, às vezes de magnitude maior do que esses que ocorreram na Venezuela e na Colômbia. Porém, o país está preparado. A sociedade japonesa tem mais recursos, tem mais planejamento. Os terremotos afetam menos as construções, que são preparadas para lidar com esse tipo de fenômeno, e o impacto sobre as pessoas é menor. Há muito mais assistência, muito mais organização do que existe no debilitado quadro social da América do Sul. Por isso é que, embora os terremotos sejam um tipo de evento que não é evitável, o que é evitável é o impacto disso para a sociedade, mas isso demanda maior planejamento e preparação para proteger as pessoas, para que as pessoas tenham uma condição de vida e direitos humanos mais respeitados, mesmo nesses contextos trágicos”, considera o professor.

Globalização e Cidadania

Com o Prof. Pedro Dallari




A coluna Globalização e Cidadania, com o professor Pedro Dallari, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.


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