Transformar complexidade em vantagem competitiva é um dos desafios de quem se prepara para escalar o negócio. Foi o que a Tupi, empresa de mobilidade elétrica, começou a construir em 2019, quando o Brasil tinha pouco mais de 200 pontos públicos de recarga de carros elétricos. O diretor executivo, Davi Bertoncello, conta que o gargalo ia muito além da ampliação dessa infraestrutura.
‘Você podia encher o país de carregador e ainda assim o motorista chegar num ponto e ter uma experiência ruim. Porque o problema não era só a quantidade, era a conexão. Ou, naquela época, a falta dela. O carregador não conversava com o aplicativo, o operador não conversava com a montadora e o pagamento simplesmente era impossível. Foi aí que a ficha caiu. O Brasil não precisava apenas de mais carregadores, precisava de carregadores que conversassem entre si. E a Tupi deixou de olhar para a infraestrutura de forma isolada e passou a construir a camada de tecnologia que conecta todo esse ecossistema’.
Hoje, a empresa atua como uma plataforma digital que reúne essa complexa rede de parceiros e clientes em um só lugar e viabiliza 500 mil transações de recarga de veículos elétricos por mês.
‘Existe uma ideia de quanto maior a operação fica, mais difícil é de administrar. E na tecnologia, quando bem utilizada, acontece quase o contrário. Quanto maior a rede, mais dados ela gera e quanto mais dados existem, melhor a plataforma consegue, por exemplo, para prever falhas, distribuir demanda, orientar a manutenção e melhorar a experiência do motorista. A complexidade deixa de ser um problema e passa realmente uma vantagem competitiva’.
Por trás do modelo de negócio da Tupi está o chamado efeito de rede, em que o crescimento não vem apenas da conquista de novos clientes. Cada novo cliente ou parceiro que chega amplia o valor da rede para todos os demais. E isso transforma o próprio crescimento em motor de mais crescimento.
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