A tradição cumpriu-se este fim-de-semana em Sobreposta com a realização das Festas em Honra do Senhor Bom Jesus dos Milagres e de Nossa Senhora de Guadalupe, celebração profundamente enraizada na comunidade local, que voltou a mobilizar a população ao longo de três dias vividos intensamente entre momentos religiosos e um programa de animação dirigido a várias gerações.
Há várias décadas que as celebrações do Senhor Bom Jesus dos Milagres se uniram às Festas de Nossa Senhora de Guadalupe, uma união que reforçou a fé e o convívio, afirmando-se como uma tradição que se mantém viva e continua a ser transmitida ao longo de gerações.
“Esta festa deriva da fé, sobretudo do Bom Jesus dos Milagres e da Nossa Senhora de Guadalupe”, explicou ao Correio do Minho o juiz da festa, Alexandre Vieira, sublinhando que são muitos os emigrantes que procuram regressar à terra nesta altura para participar nas celebrações.
A dimensão da festa começa muito antes do próprio fim-de-semana. A organização está a cargo da Confraria de Nossa Senhora de Guadalupe, composta pelo juiz, secretário, tesoureiro e procurador, contando ainda com dois mordomos anuais e quatro mordomas.
Os trabalhos de preparação prolongam-se ao longo de vários meses e incluem uma das tradições mais visíveis das festividades: o arruado.
A participação das novas gerações é, para o juiz da festa, uma garantia de continuidade. As quatro mordomas são jovens e constituem um exemplo desse envolvimento. “Isto está enraizado e certamente vai melhorar ano após ano”, afirmou Alexandre Vieira, defendendo que o trabalho desenvolvido pela organização procura precisamente preservar e valorizar uma tradição que atravessa décadas.
O ponto alto das celebrações aconteceu ontem, com a componente religiosa a assumir o protagonismo. Depois da missa solene em honra de Nossa Senhora de Guadalupe, realizada durante a manhã, a tarde foi marcada pela missa em honra do Senhor Bom Jesus dos Milagres e pela majestosa procissão.
O cortejo contou com vários andores e figurados, além da participação da fanfarra de escuteiros, irmandades e confrarias. Mas, acima de tudo, voltou a ser uma manifestação de fé para muitos dos participantes.
Alexandre Vieira destacou particularmente a presença daqueles que cumprem promessas ao Bom Jesus dos Milagres, incluindo pessoas que percorrem o trajecto de joelhos atrás do andor. “É precisamente essa devoção que mantém viva esta tradição”, considerou.
Também no sábado, a componente religiosa esteve presente com a procissão de velas, que levou o andor de Nossa Senhora das Dores desde a Capela de S. Tomé até à igreja paroquial.
A par da fé, a organização procurou garantir um programa capaz de atrair diferentes gerações. Na sexta-feira, a abertura contou com a actuação da Banda Filarmónica Recreio dos Lavradores da Ribeirinha, da ilha Terceira, seguindo-se um encontro de concertinas. No sábado, a animação ficou a cargo da Banda Atlantis e do DJ Pette, numa noite que, segundo o juiz da festa, registou “uma forte afluência” e recebeu “elogios por parte da população”.
O encerramento das festividades, ontem à noite, ficou reservado para a actuação dos Santa Maria, seguindo-se o DJ Sá e o fogo-de-artifício à meia-noite.
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