Rúben Guerreiro troca a bicicleta pela caravana na Volta a Portugal: «Vejo trabalho que não via antes…» – Volta a Portugal



Rúben Guerreiro na Volta a Portugal


• Foto: LUSA_EPA


O ciclista Rúben Guerreiro trocou a bicicleta pelo carro para se estrear na Volta a Portugal, como membro da caravana deste ano, embora mantenha a ambição de integrar o pelotão numa futura edição, quem sabe para tentar vencer.


Impossibilitado de participar na Volta após nove épocas consecutivas a disputar sobretudo provas do WorldTour, entre 2017 e 2025, como membro da Trek-Segafredo, pela Katusha-Alpecin, pela EF Education-EasyPost e pela Movistar, o corredor de 32 anos aceitou o convite da organização para integrar a caravana da 87.ª edição, num ano marcado pela interrupção da sua carreira.


“Com todo o gosto, estou na caravana da Volta. Vejo trabalho que não via antes de todo o staff, todas as motas, de agentes da GNR, de patrocinadores, de comissários e de condutores. Realmente, é uma equipa muito boa. É aquele trabalho invisível que não vemos, mas que dá profissionalismo. Isto não é apenas a Volta a Portugal. É a “grandíssima”. Realmente, é uma corrida grande e enorme”, enaltece, em declarações à Lusa.


Afetado por uma cervicalgia crónica, condição marcada pela constante dor no pescoço, após as duas hérnias detetadas em 2024, o ciclista do Montijo assume estar a viver uma experiência “muito boa” após quatro dias de prova, na qual está a “rever amigos com os quais partilhou a estrada”, e defende que o nível de organização da Volta está acima da classificação atribuída pela UCI – circuito continental.


“Não estávamos atentos a estes pequenos detalhes da caravana, de todos os bastidores [como ciclistas]. Tem menos pessoas do que nas grandes voltas, mas esta organização tem muita categoria. É uma excelente corrida. É das melhores corridas do mês e do calendário”, considera.




Face ao encanto que sente com a prova mais popular de ciclismo de estrada em Portugal, que tem a “mágoa” de nunca ter corrido, o vencedor da classificação da montanha da Volta a Itália de 2020 confessa dois objetivos que gostaria de cumprir na eventualidade de regressar à competição.


Um deles é a conquista de uma etapa da Volta a França, o que é “sempre difícil”, mais ainda num tempo em que o auge da carreira dos ciclistas começa a acontecer entre os 20 e os 27 anos, o que dificulta o regresso a uma equipa WorldTour, e o outro é a participação na Volta, eventualmente para lutar pela camisola amarela.


“Quem não quer ganhar a Volta a Portugal, como português? Poderíamos, eu e outros portugueses – o Rui Oliveira [líder da classificação geral] está a fazê-lo bem-, ser protagonistas. É de lembrar os ciclistas portugueses e os ciclistas que correm nas equipas portuguesas, porque têm muito nível. É uma Volta com muito nível. Não é nada fácil ganhar ou fazer a frente da geral. Poderia ser um objetivo bonito”, salienta.


Acompanhado por especialistas para “recuperar a boa forma física”, após ser “apanhado de surpresa” com “um corpo que não dava mais” no final de 2025, Rúben Guerreiro troca o fato de ciclista pelas calças e pela camisa, com esperança nas pedaladas que ainda virão.


“Ainda não disse que parei. A Volta e o ciclismo ainda mexem comigo. Esta situação foi muito desgastante fisicamente, mas a “grandíssima” ainda mexe comigo. Nunca se sabe o futuro”, perspetiva o campeão nacional de fundo em 2017 e o vencedor de uma etapa do Giro, na chegada a Roccaraso, em 11 de outubro de 2020.

Por Lusa


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