Portugal: Partido Socialista propõe “Programa Especial de Apoio Urgente” aos portugueses afetados pelos sismos na Venezuela

Partido Socialista considera que “é tempo para Portugal estar ao lado da sua comunidade de uma forma urgente, estruturada e à altura da dimensão da tragédia”. Foto: divulgação/Partido Socialista

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista (PS) apresentou, no passado dia 15 de julho, na Assembleia da República, um Projeto de Resolução que recomenda ao Governo português a criação urgente de um “Programa Especial de Apoio Urgente” à Comunidade Portuguesa e Luso-venezuelana afetada pelos sismos de 24 de junho de 2026, na Venezuela. 

Na exposição de motivos, os deputados subscritores – entre os quais o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro – começam por recordar que os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 constituíram uma das maiores catástrofes naturais da história recente da Venezuela, provocando milhares de mortos e feridos, dezenas de milhares de desalojados e uma destruição generalizada de habitações, estabelecimentos comerciais e infraestruturas essenciais. Entre as zonas mais afetadas encontram-se Caracas e, sobretudo, La Guaira, Catia La Mar e Caraballeda, localidades onde reside uma parte significativa da comunidade portuguesa.

Neste sentido, o documento sublinha que Portugal “não pode ficar indiferente a esta tragédia”, recordando que a Venezuela alberga uma das maiores comunidades portuguesas no estrangeiro, com cerca de 220 mil cidadãos registados nos serviços consulares e uma população de origem portuguesa que poderá atingir 1,2 milhões de pessoas, incluindo lusodescendentes. 

Segundo o PS, muitas famílias perderam simultaneamente familiares, habitações, empresas e meios de subsistência, encontrando-se atualmente alojadas em tendas e abrigos temporários, enquanto outras ponderam regressar definitivamente a Portugal para reconstruir as suas vidas.

Os deputados assinalam ainda que esta comunidade já enfrentava dificuldades decorrentes da prolongada crise económica e social venezuelana, vendo agora agravada a sua situação devido à destruição causada pelos sismos.

Na área da saúde, o texto destaca a fragilidade do sistema público venezuelano e considera essencial reforçar a rede de apoio médico criada pela comunidade portuguesa em 2018, durante a anterior crise económica, atribuindo especial prioridade ao apoio psicológico destinado às vítimas e familiares afetados pela catástrofe.

No plano social, os deputados defendem a revisão e o reforço dos mecanismos de apoio existentes, nomeadamente do Apoio Social para Idosos Carenciados (ASIC) e do Apoio Social para Emigrantes Carenciados (ASEC), propondo igualmente maior celeridade no processamento destes apoios e a criação de respostas de emergência ajustadas às necessidades provocadas pelos sismos. 

Também no domínio social, a proposta prevê medidas específicas para os portugueses e luso-venezuelanos que pretendam regressar a Portugal, recomendando ao Governo que facilite esse processo através de mecanismos de integração, apoio ao acesso ao mercado de trabalho e à habitação.

Paralelamente, a iniciativa propõe o reforço do apoio ao movimento associativo português na Venezuela, considerando que as associações desempenham um papel determinante na identificação das necessidades das comunidades, na definição das prioridades de intervenção e na distribuição da ajuda humanitária.

No domínio económico, o PS recomenda a criação de condições e incentivos para que empresas portuguesas dos setores da construção, habitação e infraestruturas participem no processo de reconstrução da Venezuela, defendendo que esse envolvimento poderá contribuir para a recuperação das zonas afetadas e para a criação de emprego junto da comunidade portuguesa e luso-venezuelana residente no país.

Os deputados socialistas concluem sustentando que “é tempo para Portugal estar ao lado da sua comunidade de uma forma urgente, estruturada e à altura da dimensão da tragédia”, defendendo, por isso, a criação de um programa especial “capaz de minorar o sofrimento de tantos compatriotas e de acompanhar a sua recuperação no longo prazo”. 

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