O Vaticano anunciou a viagem do papa Leão XIV à América do Sul. De 6 a 17 de novembro, o Pontífice irá ao Uruguai, à Argentina e ao Peru.
A ausência do Brasil, maior país católico do mundo, no roteiro levantou questionamentos de leitores da coluna. Não há uma explicação oficial por parte da Santa Sé. O que há são hipóteses.
É fácil compreender a exclusão do Brasil a partir dos destinos escolhidos. Cada país tem uma razão plausível para estar na agenda. Uruguai e Argentina cumprem um fechamento de ciclo de visitas, iniciado por Francisco, seu antecessor: o Papa argentino esteve no Brasil em 2013, no Equador, na Bolívia e no Paraguai, em 2015, e no Chile e no Peru, em 2018. Francisco, desde que deixou Buenos Aires para o conclave que o elegeria Papa, em 2013, nunca mais voltou a seu país natal.
A visita de agora teria sido um pedido do idoso Pontífice a quem fosse seu sucessor. Já o Uruguai é hoje o país com menor percentual de católicos entre a população, apenas 36%.
A visita ao Peru, por sua vez, tem caráter bastante pessoal. O cardeal Robert Prevost, americano de nascimento, passou 20 anos de seu ministério no país andino, considerado sua segunda casa.
Sobre o Brasil há razões políticas e logísticas para a exclusão. O Vaticano não costuma incluir uma visita do Papa a uma nação em ano de eleições presidenciais, como forma de manter a neutralidade e evitar que a viagem seja instrumentalizada por candidaturas. Sobre a logística, o país de dimensões continentais costuma exigir vários dias de viagem apostólica.
O roteiro por Uruguai, Argentina e Peru já consumirá 12 dias. Não bastaria, por exemplo, ir ao Rio de Janeiro e não viajar a São Paulo ou a Brasília. E Porto Alegre? E Manaus? E Salvador?
O presidente Lula, em conversa com Leão XIV, em outubro do ano passado, no Vaticano, convidou o Papa a vir à COP30, em Belém, realizada em novembro. Mas a Santa Sé enviou apenas representante. Uma curiosidade: Prevost, então cardeal, viria ao Brasil entre abril e maio de 2025, para participar da Assembleia Geral da CNBB. Ele seria responsável pela pregação do retiro dos bispos, mas a viagem foi cancelada porque ele precisou viajar, a partir da morte de Francisco, a Roma.
Fontes da coluna no Vaticano garantem que uma viagem ao Brasil ocorrerá em outro momento. O próprio Leão disse a Lula que será em “hora oportuna”. O Brasil é grande demais — política, religiosa e geograficamente — para ser apenas uma escala no caminho.
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