Música ao vivo ganha força na era da inteligência artificial, aponta Dody Sirena – Portal IN – Pompeu Vasconcelos
Quanto mais a inteligência artificial avança na criação de músicas, vozes e conteúdos digitais, mais valiosa pode se tornar uma experiência que a tecnologia ainda não consegue reproduzir por completo: estar presente em um show.
Essa é a reflexão do empresário e produtor Dody Sirena, em coluna publicada na Billboard Brasil. Para ele, a IA não deve ser vista apenas como ameaça. A tecnologia pode ajudar a conhecer melhor o público, ampliar a acessibilidade, criar cenários, personalizar experiências e potencializar a criatividade. O desafio está em definir até onde a ferramenta complementa o trabalho humano e em que momento começa a ocupar o lugar do autor, do intérprete e da própria criação.
Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo a IFPI, a Deezer recebeu, em janeiro de 2026, mais de 60 mil faixas totalmente geradas por inteligência artificial por dia. A entidade também aponta que até 85% das reproduções desse tipo de música identificadas pela plataforma em 2025 estavam associadas a fraude de streaming.
Na direção oposta — ou talvez complementar —, o mercado presencial segue aquecido. O Brasil já aparece como o segundo maior mercado de shows ao vivo do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E, somente no primeiro bimestre de 2026, o consumo brasileiro em atividades de recreação, incluindo shows, festivais e outras experiências de entretenimento, alcançou R$ 25,3 bilhões, recorde da série histórica acompanhada pela Abrape.
No cenário global, as 50 maiores turnês contabilizadas pela Billboard no primeiro semestre fiscal de 2026 movimentaram mais de US$ 2,7 bilhões e venderam 20,7 milhões de ingressos.
Os festivais também reforçam essa tendência no Brasil: foram 366 eventos em 2025, com 3.703 artistas e 958 marcas patrocinadoras mapeadas. Três em cada dez frequentadores afirmaram ter viajado para participar de pelo menos um festival no período.
Para Dody Sirena, é justamente aí que está a força da música ao vivo: enquanto conteúdos podem ser reproduzidos infinitamente nas telas, um show acontece uma única vez, em determinado lugar, reunindo artista e público em torno da mesma experiência.
Em um mundo cada vez mais artificial, o valor do presencial pode estar justamente no que não pode ser baixado, copiado ou recriado: a sensação de ter estado lá.
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