Mais de 200 inscritos, um auditório lotado e profissionais vindos de São Paulo e Minas Gerais marcaram a sexta edição do Encontro Técnico da Abraves-SP, realizada nesta quarta-feira (9), no campus da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga. Promovido justamente no Dia do Médico-Veterinário, o evento reuniu pesquisadores, estudantes, representantes da indústria e empresas fornecedoras para discutir como decisões tomadas em cada etapa da produção suinícola repercutem sobre a eficiência, a sanidade e o resultado de todo o sistema.
A participação superou as expectativas da organização e, para o presidente da Abraves-SP, Luís Guilherme de Oliveira, mostrou que a programação conseguiu responder a demandas concretas da cadeia produtiva. “Os mais de 200 inscritos foram o que mais nos impressionou e nos trouxe alegria. O auditório estava lotado. Isso demonstra a qualidade do evento e a aderência da temática às necessidades do produtor, da indústria e da comunidade científica”, afirmou.
Presidente da Abraves-SP, Luís Guilherme de Oliveira: “A Abraves-SP está se posicionando como protagonista e contribuindo com o setor produtivo de São Paulo, do Sudeste e do Brasi” – Foto: Divulgação/Abraves SP
Com o tema central “Fluxo de produção: estratégias para promover a sustentabilidade do negócio”, o encontro organizou a programação a partir de uma visão integrada da granja. Em vez de abordar isoladamente reprodução, creche, crescimento, terminação e sanidade, as palestras mostraram como falhas ou ganhos obtidos em uma fase avançam pelas etapas seguintes e influenciam o desempenho final.
Programação
O ponto de partida foi a matriz suína. Na primeira palestra do dia, “A base do fluxo: como a fêmea define a sustentabilidade do sistema”, o professor Caio Abércio da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tratou do papel da fêmea na organização e na estabilidade do sistema produtivo. A abordagem colocou o desempenho reprodutivo e os cuidados com as matrizes na origem de uma cadeia de resultados que alcança a qualidade dos leitões, a regularidade dos lotes e o aproveitamento das instalações.
O professor Vinícius Cantarelli, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), apresentou o tema “Leitões leves na creche: o efeito dominó que compromete todo o sistema”. A palestra chamou a atenção para as consequências de um problema que pode começar nas primeiras fases de vida, mas não permanece restrito à creche. Leitões com baixo desempenho tendem a interferir na uniformidade dos lotes, no fluxo das instalações e nos resultados das etapas posteriores.
A organização do sistema produtivo foi aprofundada por Antonio Leomar Eugênio na palestra “Sistema em bandas: organizando o fluxo para destravar eficiência, biosseguridade e resultado”. O modelo foi discutido como ferramenta para ordenar os grupos de produção, melhorar o uso das estruturas e favorecer medidas de biosseguridade. A lógica é reduzir interferências entre lotes e criar condições mais previsíveis para o manejo sanitário e produtivo.
O crescimento e a terminação também entraram no debate. Edilson Caldas apresentou “Pirâmides sanitárias no crescimento e terminação”, abordando a estruturação sanitária nas fases que concentram parcela decisiva do consumo de ração e da formação do resultado econômico. A discussão reforçou que a sanidade precisa acompanhar a movimentação dos animais e o desenho do fluxo, e não ser tratada apenas como resposta a episódios clínicos.
O mestre em Medicina Veterinária Gustavo Simão discutiu “Erradicação de enfermidades na suinocultura: vantagens e desafios”. A palestra analisou os caminhos e os obstáculos envolvidos na eliminação de agentes dentro dos sistemas produtivos. O tema ampliou o debate para decisões sanitárias de longo prazo, nas quais os possíveis ganhos em desempenho e estabilidade precisam ser confrontados com exigências operacionais, custos, planejamento e capacidade de execução.
Ao percorrer matrizes, leitões, organização em bandas, crescimento, terminação e erradicação de enfermidades, o encontro relacionou sustentabilidade à capacidade de manter o sistema sanitariamente controlado, produtivamente organizado e economicamente viável. A construção do programa também aproximou diferentes segmentos que participam dessas decisões. “Tivemos pessoas de São Paulo e até de Minas Gerais, além de estudantes, pesquisadores, profissionais da indústria e representantes das empresas fornecedoras. Mesmo nos momentos de crise, é necessário buscar informação de qualidade”, destacou Oliveira.
Dia do Médico-Veterinário também teve confraternização
Além das palestras, a Abraves-SP reservou espaço para a convivência entre os participantes. A programação social contou com paella campeira e roda de viola, incorporadas à celebração do Dia do Médico-Veterinário.
A coincidência da data deu significado adicional ao encontro. Em uma atividade diretamente relacionada à saúde dos rebanhos, à biosseguridade e à eficiência da produção, a homenagem aos profissionais ocorreu também pelo compartilhamento de conhecimento técnico e pela aproximação entre universidade, empresas e cadeia produtiva.
Para Luís Guilherme de Oliveira, a participação do público e a abrangência dos debates fizeram desta uma edição histórica e reforçaram o espaço que a entidade vem ocupando além dos limites paulistas. “A Abraves-SP está se posicionando como protagonista e contribuindo com o setor produtivo de São Paulo, do Sudeste e do Brasil. Estamos muito alinhados ao momento da suinocultura e às questões que precisam ser enfrentadas dentro dos sistemas de produção”, ressaltou.
Fonte: O Presente Rural
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