O Mercado Bitcoin (MB) e a Bitso, duas das maiores plataformas de criptoativos da América Latina, decidiram juntar forças para competir com gigantes internacionais, como a Binance, no mercado brasileiro de ativos digitais. Juntas, as duas ganham escala para operar com “spreads” mais competitivos e somam cerca de 15 milhões de clientes na América Latina, sendo 4,6 milhões do Mercado Bitcoin e 2 milhões da Bitso no Brasil. Segundo as empresas, as duas movimentam cerca de US$ 130 bilhões por ano e viabilizam pagamentos em 14 países da América Latina. O acordo tem alcance comercial e não envolve participações societárias.
Os clientes pessoa física do varejo da Bitso no Brasil serão direcionados para investir pela plataforma e aplicativo do Mercado Bitcoin, que tem uma prateleira de criptomoedas e ativos digitais mais ampla, incluindo crédito “tokenizado”, frações de precatórios, cotas de consórcios e “tokens” de startups. Os clientes institucionais e de maior porte, no entanto, seguem operando com a Bitso. Na América Latina, a Bitso atende cerca de 2.000 clientes institucionais.
O acordo entre Mercado Bitcoin e Bitso acontece pouco antes de entrar em vigor a nova regulação do Banco Central (BC), que tem apertado as exigências de capital, gestão de risco, tecnologia e compliance das plataformas de ativos digitais, afastando startups estrangeiras e de menor porte no país. A partir de 30 de outubro, poderão operar apenas as plataformas cripto já constituídas que tiverem dado entrada formal no processo de autorização; novas entrantes só poderão funcionar após aprovação. A parceria também ocorre num momento de baixa do mercado cripto, com queda expressiva nos volumes de negócios com bitcoin e outras criptomoedas.
Segundo Roberto Dagnoni, CEO do Mercado Bitcoin, a Bitso agrega expertise em pagamentos e no uso de stablecoins em transferências internacionais, experiência adquirida nos países da América Latina. O Mercado Bitcoin recebeu recentemente um aporte de R$ 100 milhões da Thether, maior emissora de stablecoin com paridade no dólar.
Daqui a dois meses, vamos ter o mercado brasileiro regulado pelo BC. Estamos vendo isso como um ‘day one’ da indústria”
— Roberto Dagnoni
“Daqui a dois meses, vamos ter o mercado brasileiro regulado pelo Banco Central. Estamos vendo isso como um ‘day one’ da indústria. Uma coisa é operar em um mercado não regulado, fazendo tudo da melhor forma possível, mas sem regras claras. Para empresas e clientes institucionais, faz muita diferença acessar um serviço que tenha uma licença e um regulador atuante. O mercado vai ampliar muito a partir de agora em termos de volume, e essa parceria é importante para isso”, disse.
“A partir dessa parceria, uma empresa brasileira vai conseguir fazer pagamentos internacionais em tempo real para o México em poucos segundos, porque juntamos a plataforma do Mercado Bitcoin com toda a infraestrutura de pagamentos da Bitso na América Latina. Estamos juntando a experiência da melhor empresa cripto do Brasil com o expertise Latam da Bitso”, disse Nicolas Alonso, gerente-geral da Bitso no Brasil.
Além da plataforma de investimentos do varejo, o MB tem uma tokenizadora que origina crédito digital, atua com custódia de ativos digitais, faz gestão de recursos e fornece infraestrutura de negociação do tipo “cripto as a service” (CaaS). Tem licença de instituição de pagamento (IP) e recentemente comprou a corretora de câmbio e títulos do Banco Mercantil. Já a Bitso, além de IP, chegou a obter licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), podendo oferecer empréstimo, mas depois vendeu o braço de crédito para a BYC Capital.
Fundada em 2014 no México, a Bitso atua em 14 países da América Latina, com destaque para Colômbia e Argentina, onde participa de arranjos de pagamento por QR Code. Entre os investidores, estão gestoras de venture capital que lideram investimentos em ativos digitais, como Tiger Capital, Paradigm, Bond, Valor Capital, Coinbase Ventures, Kaszek, Digital Currency Group (DCG) e Ripple, entre outras.
Já o Mercado Bitcoin surgiu em 2013 e liderou o mercado cripto brasileiro até a chegada da Binance, em 2020. Em 2021, tornou-se um “unicórnio” cripto após receber uma rodada de investimentos de US$ 200 milhões, liderada pelo SoftBank. Entre os investidores, estão também GP Investments e Paralax Ventures.
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