Henrique, um menino de cinco anos diagnosticado com paralisia cerebral, comoveu a internet ao participar de sua primeira corrida. O vídeo da prova viralizou nas redes sociais e inspirou outras famílias a buscarem o esporte como ferramenta de inclusão e superação.
Henrique foi diagnosticado com paralisia cerebral aos sete meses de vida, após complicações decorrentes de uma bronquiolite. Segundo a mãe, que é fisioterapeuta pediátrica, o acompanhamento começou cedo, ainda em casa.
A partir de 2024, ele passou a realizar terapias intensivas, após uma vitória na justiça contra o plano de saúde, e deu os primeiros passos quando tinha três anos e meio.
O episódio que motivou a corrida
A participação na prova não estava nos planos da família, até que um episódio na escola mudou tudo.
“Mais ou menos uns 15 dias antes da corrida, uma amiguinha da escola falou que ele não sabia correr”, relatou Renata Pessoa, mãe de Henrique.
Segundo ela, Henrique chegou em casa muito abalado e, pela primeira vez, percebeu de forma concreta a diferença física em relação às outras crianças.
“Ele chegou muito mal pedindo para tirar a órtese para ser igual a todo mundo e conseguir correr”, contou.
Órtese é um dispositivo externo, que pode ser utilizado de forma temporária ou contínua, para ajudar nas funções de um membro. Diante disso, a família decidiu inscrevê-lo na primeira corrida disponível.
“Ele vai participar do jeito dele”, relembrou a mãe.
Sucesso na pista e nas redes sociais
Mesmo sem muito treino, a primeira prova foi um sucesso tanto na pista quanto nas redes sociais. O vídeo de Henrique viralizou e passou a inspirar outras famílias.
“Eu recebi muitas mensagens de outras famílias dizendo ‘Nosso filho tem paralisia cerebral e não sabia que ele podia correr’. Isso que eu sempre quis: conscientização e trazer realmente essa questão que todo mundo não pode tudo”, relatou a mãe, emocionada com o alcance da história.
Comitê Paralímpico e a iniciação no esporte
Em abril, Henrique visitou a escolinha do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em São Paulo. A entidade mantém projetos voltados à captação de novos atletas em diversas cidades, com centros de referência espalhados pelo país.
“A gente conheceu o CPB, que é o Comitê Paralímpico Brasileiro. Ele foi lá e e conheceu o projeto deles que é para criança no esporte mesmo, entrar no esporte paralímpico. A gente foi conhecer e ele (Henrique) falou: ‘Eu quero estar aqui, eu quero jogar futebol'”, contou Renata.
Ramon Pereira, Diretor de Desenvolvimento Esportivo do CPB, explicou que o projeto da escolhinha em São Paulo é gratuito e contempla 15 modalidades.
“Quando um aluno, por exemplo, deficiente visual, chega até nós, ele faz uma experimentação nas modalidades que são elegíveis a ele”, disse Ramon, citando exemplos como futebol de cegos, natação, atletismo e goalball.
O comitê busca fomentar a prática esportiva garantindo a independência e a confiança de crianças e adolescentes. Ramon destacou um momento particularmente emocionante da participação de Henrique.
“O mais emocionante é que ele cai e levanta sozinho. A criança ali mesmo, ela caiu, levantou e foi até o final. Isso para mim foi fantástico. É isso que a gente cria em nossos alunos: essa decisão, essa autoestima”, afirmou.
“Orgulhoso”
Para o Henrique, a experiência da corrida foi “muito legal”. E quando perguntado como se sentiu, o pequeno respondeu com uma palavra que resume bem sua própria trajetória: “Orgulhoso”.
“Ele ficou muito orgulhoso e a gente mais ainda”, completou Renata, que aproveitou e mandou um recado a outras famílias.
“Queria agradecer as famílias, as pessoas que estão mandando mensagem e dizer que vocês não estão sozinhas. Então, não desistam. O processo de aceitação não é fácil, mas ele é necessário e essa intervenção precoce dá muitos resultados. Então vão atrás de terapias, vão atrás de ajuda, peçam ajuda, nem que seja para conversar. Não desistam e incentivem muito o filho de vocês a conquistar o mundo”, concluiu.
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