A sede da marca é hoje o bairro de Little River, nos arredores do Design District. É lá que a Carolina K. tem um estúdio com 280 metros quadrados e pé direito alto. “Lancei os fatos de banho, os quimonos, e a marca tornou-se muito conhecida pela primavera, pelas cores e pelos estampados. Temos pronto-a-vestir, malhas, fatos de banho, artigos de casa, papéis de parede, chapéus e malas”, assinala a designer, que reverte 5% de cada compra para instituições de caridade — incluindo um abrigo para mulheres em situação de vulnerabilidade em Miami, uma ONG ambiental ou uma entidade associada à Cruz Vermelha. Carolina Kleinman também prioriza o uso de tecidos ecológicos, como algodão orgânico ou linho, em produções pequenas de até 50 peças. “Muitos designers mais jovens disseram-me o quanto se sentiram inspirados. Porque, honestamente, fui uma pioneira ao fazer todo este trabalho. Antes das redes sociais e antes de se tornar uma tendência ser sustentável, fi-lo porque queria fazer algo de bom no mundo. E até hoje continuo a ser uma marca independente. Nunca tive um investidor, não tenho nenhuns sócios, desempenho muitas funções na empresa e ainda somos uma pequena equipa de dez pessoas.”
Questionada sobre se considera que o público atual está mais atento às práticas sustentáveis na indústria da moda, Carolina Kleinman considera que há “duas faces da moeda”. “Existem as pessoas que realmente se importam e querem comprar com significado, sabendo que a peça vai durar e que estamos a fazer o bem. Por outro lado, há quem procure apenas satisfação imediata e compre coisas baratas que, por vezes, nem chegam a usar. Não têm consciência de que há uma pessoa por trás da peça e ignoram as condições em que foi feita.”
É na Quinta da Comporta que Carolina Kleinman espera “construir uma comunidade e uma experiência”, durante as duas semanas em que a pop up estiver assente. “Não se trata apenas do produto, mas de quem o fez e de como te sentes empoderado ao usá-lo”, destaca a designer, que diz “adorar” o clima da região. “Já comprei alguns tecidos e tenho os artigos de casa que produzo aqui. Depois da Quinta da Comporta, vou fazer uma viagem de carro para explorar. Quero ver os “pueblitos” e conhecer os estilos de bordado locais, como os de Castelo Branco. Gostava de ir a Estremoz e ver o trabalho com barro. A próxima coleção vai ter muitas referências do que vi em Portugal”, confidencia.
Em Portugal, os padrões e o aspeto artesanal já conquistaram nomes como Rebecca de Ravenel e Filipa de Abreu. Questionada sobre se acha que a sua marca se encaixa nos looks das portuguese girlies, Carolina Kleinman mostra-se confusa: “Existe esta tendência?”. Depois de saber mais sobre as influencers “embaixadoras” do estilo, a designer responde. “Acho que as minhas peças se encaixam bem porque parecem adorar padrões. Adoro o facto de a marca ter opções infinitas. Não produzimos num só lugar, não somos apenas uma marca de resort; somos uma marca de estilo de vida.”
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