Liga denuncia detenção “arbitrária” de dois jornalistas na Guiné-Bissau

A posição foi consultada pela Lusa na página oficial da organização humanitária numa rede social.

No comunicado, a Liga sublinha que “quaisquer atos arbitrários contra jornalistas no exercício das suas funções representam uma grave ameaça” à liberdade de imprensa, de expressão e ao direito fundamental dos cidadãos à informação, pilares essenciais de qualquer Estado de direito democrático.

Para a organização, a liberdade de imprensa na Guiné-Bissau “não consubstancia uma concessão do poder político, mas sim uma garantia inalienável” que deve ser assegurada sem intimidações, perseguições ou ameaças.

A Liga dos Direitos Humanos lembra que os profissionais dos órgãos de comunicação social “não podem ser encarados como inimigos” do Estado por cumprirem o seu dever de informar, alertando que a supressão do trabalho jornalístico “resulta, inevitavelmente, no silenciamento” da sociedade e no “enfraquecimento das instituições democráticas”.

A LGDH exige a libertação urgente e incondicional dos jornalistas Sulai Seide e Nelson António da Silva, um esclarecimento cabal e transparente sobre as circunstâncias e os fundamentos jurídicos que motivaram as detenções.

Também através de um comunicado, o Movimento Firkidja de Pubis condenou “veementemente o sequestro” dos dois jornalistas da Rádio Capital FM, “perpetrado pelas forças do regime” na Guiné-Bissau.

De acordo com o movimento, Sulai Seidi foi detido “sob alegações infundadas” de ter fotografado a baixa afluência às urnas durante o referendo constitucional e de ter apelado ao seu boicote.

Nelson António da Silva teria sido também “sequestrado após uma discussão” numa assembleia de voto, onde assistia à contagem de votos, refere ainda o movimento.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou no domingo uma participação acima de 50% de eleitores votantes no referendo à Constituição proposto por militares e segundo a oposição e organizações da sociedade civil, que tinham apelado ao boicote da votação, o processo saldou-se por uma forte abstenção.

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.

 

A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância

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