O Governo peruano anunciou a captura, na segunda-feira, na Bolívia, de Jhonsson Smit Cruz Torres, de alcunha “John Pulpo” (John Polvo), considerado o principal líder da organização criminal Los Pulpos. Acredita-se que o gangue seja responsável pelo rapto de um empresário e pelo homicídio dos seus quatro companheiros no passado domingo, na cidade de Trujillo.
“John Pulpo” figurava entre os criminosos mais procurados do Peru, com uma recompensa de 500 mil soles (aproximadamente 127 mil euros) oferecida por informações que levassem à sua captura. Supostamente, comandava as operações da organização criminosa na clandestinidade.
A detenção, cujas circunstâncias ainda não foram divulgadas, foi o resultado de uma operação conjunta dos serviços secretos boliviano e peruano, juntamente com o FBI e a DEA (agância anti-droga dos Estados Unidos).
Em entrevista ao Canal N, o Ministro do Interior, César Astudillo, afirmou que “John Pulpo” estava inicialmente em La Paz e que, por razões de segurança, os detalhes da transferência foram mantidos em sigilo para que a sua extradição para o Peru pudesse ser concluída o mais rapidamente possível.
“Este líder foi finalmente capturado”, disse o ministro, acrescentando que as autoridades peruanas continuam a trabalhar para identificar e prender os restantes membros da organização criminal.
Entretanto, numa breve conferência de imprensa em La Paz, o comandante da Polícia Nacional Boliviana, Coronel Adrián Álvarez, informou a imprensa que a captura foi possível graças a uma “operação conjunta” que estava em curso desde janeiro e na qual foi também detido outro membro da organização criminosa, Gabriel Alexander Saúl M.G., de 23 anos.
Álvarez afirmou que Cruz Torres é um “alvo regional de alto valor” devido à “perigosidade e ao alcance das atividades criminosas realizadas a partir da sua base de operações no Peru, mas que também se estendiam ao Chile e à Argentina, e que pretendia expandir-se” para a Bolívia.
John Pulpo era alvo de um mandado de detenção internacional por crimes que incluem roubo qualificado com resultado em morte, homicídio qualificado, homicídio por encomenda, crime organizado e rapto qualificado, entre outros.
Durante as detenções do chefe do crime organizado e do seu cúmplice, foram encontrados passaportes peruanos e documentos de identidade bolivianos correspondentes a diferentes identidades, que serão submetidos às devidas investigações, segundo um comunicado da Polícia Nacional do Peru.
O grupo conhecido como Los Pulpos é considerado responsável por um dos atos de crime organizado mais brutais do Peru este ano. O empresário do setor mineiro Jenss Lara, de 31 anos, foi raptado na madrugada de domingo em Trujillo, e os seus quatro acompanhantes que viajavam com ele no seu veículo foram assassinados.
Os raptores simularam uma operação policial da divisão de crime organizado da Polícia Nacional do Peru, e Lara foi libertado no dia seguinte, depois de a sua família ter aparentemente pago parte do resgate, uma alegação que as autoridades peruanas se recusaram a confirmar.
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