A Sociedade Mineira do Chitotolo defende que o maior desafio da indústria diamantífera angolana já não passa apenas pela exploração das reservas existentes, mas pela capacidade de transformar os diamantes em riqueza sustentável para o país e para as comunidades onde a actividade mineira se desenvolve.
A posição foi assumida esta Quarta-feira, em Lisboa, pelo Presidente do Conselho de Gerência da empresa, Artur Gonçalves.
Ao intervir no painel “Recursos Estratégicos: Angola na Nova Geopolítica Global”, integrado na 4.ª edição do Doing Business Angola 2026, que decorreu em Lisboa, o gestor afirmou que a principal preocupação da empresa não reside em saber se as reservas diamantíferas são inesgotáveis, mas sim em garantir que os recursos naturais geram valor económico duradouro.
“Não estamos preocupados em saber se os diamantes são eternos. O nosso grande desafio é transformá-los em riqueza para Angola e em desenvolvimento sustentável para as comunidades onde operamos”, afirmou.
Na sua intervenção, Artur Gonçalves defendeu que Angola deve evoluir de um modelo assente na exportação de matéria-prima para uma estratégia baseada na transformação industrial local e na criação de valor acrescentado, condição que considera essencial para aumentar a riqueza nacional, gerar emprego e reforçar a sustentabilidade da economia.
Nesse sentido, lançou um convite ao empresariado português para participar neste processo de industrialização do sector mineiro.
“Ajudem-nos a transformar esta matéria-prima em valor acrescentado. Se o fizermos, todos sairemos a ganhar. Ajudem-nos a transformar Angola, a transformar os nossos recursos em riqueza para os angolanos e para todos os que investirem connosco”, apelou.
Embora reconheça que Angola dispõe de importantes reservas diamantíferas, o responsável considera que o verdadeiro teste para o sector será a capacidade de converter esse potencial geológico em riqueza efectiva para o país.
O PCG da Sociedade Mineira do Chitotolo referiu ainda que a empresa enfrenta vários desafios operacionais, entre os quais o aumento da produção, a mitigação dos custos de exploração e a necessidade de simplificar procedimentos administrativos que continuam a afectar a competitividade da actividade mineira.
Segundo explicou, a revisão de processos burocráticos e a redução de custos não directamente associados à produção poderão contribuir para aumentar a eficiência e criar melhores condições para novos investimentos.
“É um processo que exige tempo e persistência, mas acredito que vamos conseguir ultrapassar estes desafios”, concluiu.
Angola procura reforçar a contribuição do sector mineiro para a diversificação da economia, apostando não apenas na exploração dos recursos naturais, mas também no desenvolvimento de cadeias de valor capazes de reter maior riqueza no país e impulsionar a industrialização.
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