Depois de passar dois meses na prisão e estar desde final de janeiro em prisão domiciliária, na sequência do golpe militar após as eleições presidenciais das quais foi impedido de concorrer, Domingos Simões Pereira foi novamente levado para prisão preventiva esta sexta-feira por ordem do Tribunal Militar Superior.
A acusação contra o dirigente do PAIGC é de participação numa alegada tentativa de golpe de estado que teria ocorrido em outubro, antes das presidenciais em que o candidato apoiado por Domingos Simões Pereira, Fernando Dias da Costa, reclamou vitória à primeira volta. O resultado nunca foi proclamado porque a contagem dos votos foi interrompida pelo golpe militar afeto ao então Presidente e candidato derrotado, Umaro Sissoco Embaló, que a partir daí passou a controlar as rédeas do poder a partir do estrangeiro.
16 de junho 2026
“No seu mísero calculismo político, Umaro Sissoco Embaló acredita que o afastamento da vida política de Domingos Simões Pereira, pela via judicial, ou através da sua eliminação física, aumentaria a probabilidade de finalmente vencer as próximas eleições presidenciais, em que ainda sonha poder concorrer”, afirmou o PAIGC em comunicado na quinta-feira, quando já era conhecida a intenção de voltar a prender o dirigente da oposição.
Após o golpe de estado, os militares que tomaram o poder alteraram a Constituição para reforçar os poderes presidenciais e querem referendá-la a 30 de agosto, tendo também marcado eleições gerais para 6 de dezembro.
Reagindo à notícia da prisão de Domingos Simões Pereira, a eurodeputada bloquista Catarina Martins afirmou que “é urgente uma tomada de posição da comunidade internacional em defesa do Estado de Direito, a começar pelos países da CPLP”.
“O silêncio do governo português é inaceitável. António Costa, presidente do Conselho Europeu, também tem responsabilidades acrescidas. Recebeu Sissoco Embaló, num encontro que definiu como privado, mas que só aumenta a sua responsabilidade de exigir agora a libertação de Domingos Simões Pereira”, acrescentou Catarina Martins em declarações ao Esquerda.net.
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