247 — A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, afirmou que seu futuro governo poderá autorizar o apoio dos Estados Unidos em operações de segurança no território peruano e confirmou o interesse do país em aderir ao Escudo das Américas, iniciativa regional promovida pelo atual presidente norte-americano, Donald Trump.
As declarações foram divulgadas pela RT Brasil, com base em entrevista concedida por Fujimori à revista colombiana Semana no sábado (11). A futura presidente relacionou uma eventual cooperação militar com Washington ao combate ao narcotráfico, ao crime organizado e a outras ameaças à segurança interna do Peru.
Questionada sobre até que ponto estaria disposta a aceitar o apoio dos Estados Unidos, inclusive diante da possibilidade de ataques dentro do território peruano, Fujimori afirmou que qualquer ação dependerá das normas constitucionais e legais do país.
“O apoio será permitido na medida em que a Constituição e as leis do nosso país o permitirem”, declarou.
Na sequência, a presidente eleita confirmou a intenção de aproximar o Peru da coalizão organizada pelo governo Trump.
“Da mesma forma, temos interesse em aderir ao Escudo das Américas”, acrescentou.
Iniciativa de segurança promovida por Trump
O Escudo das Américas foi apresentado pelo governo dos Estados Unidos como uma estrutura de cooperação entre países do continente nas áreas de segurança, inteligência, controle migratório e combate a cartéis e organizações criminosas transnacionais.
A iniciativa busca ampliar o intercâmbio de informações entre os governos participantes e coordenar ações contra o narcotráfico, o terrorismo, a mineração ilegal, o tráfico de armas e outras atividades relacionadas ao crime organizado.
Fujimori afirmou que a eventual entrada do Peru na coalizão poderia abrir oportunidades para fortalecer as instituições de segurança e “restaurar a paz no país”.
A declaração sinaliza que o próximo governo peruano pretende aprofundar a aproximação política e militar com Washington, especialmente em áreas como defesa, inteligência e combate ao tráfico internacional de drogas.
Peru é aliado importante extra-OTAN dos Estados Unidos
Ao comentar a relação militar entre os dois países, Fujimori destacou o status concedido ao Peru pelo governo Trump. O país foi formalmente designado pelos Estados Unidos como “aliado importante extra-OTAN”, categoria que não corresponde à participação ou à condição de observador na Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A designação foi oficializada em janeiro de 2026 por Donald Trump e permite ampliar a cooperação militar, facilitar o acesso a determinados equipamentos de defesa e aprofundar programas conjuntos de segurança.
O mecanismo, no entanto, não inclui o Peru nas cláusulas de defesa coletiva da OTAN. Trata-se de uma classificação prevista na legislação norte-americana para países considerados parceiros estratégicos dos Estados Unidos no campo militar.
Fujimori compara Peru e Colômbia
Durante a entrevista, Fujimori comparou os desafios de segurança enfrentados pelo Peru aos da Colômbia, país que recebeu amplo apoio financeiro, militar e logístico dos Estados Unidos em programas de combate ao narcotráfico.
“No Peru, assim como na Colômbia, temos que enfrentar e combater o crime organizado”, afirmou.
A futura presidente indicou que pretende fortalecer a cooperação regional com países vizinhos e ampliar a participação peruana em mecanismos internacionais voltados à segurança.
O Peru é um dos principais produtores mundiais de cocaína e enfrenta a atuação de organizações envolvidas no cultivo ilegal de coca, no tráfico internacional de drogas, na mineração clandestina e na lavagem de dinheiro.
A presença dessas redes criminosas é particularmente expressiva em regiões amazônicas, áreas de fronteira e zonas de difícil acesso, onde a atuação do Estado é limitada.
Possibilidade de operações estrangeiras deverá enfrentar debate
A disposição manifestada por Fujimori para aceitar apoio norte-americano, inclusive em ações realizadas dentro do território peruano, deverá provocar discussões políticas e jurídicas no país.
A própria presidente eleita condicionou qualquer iniciativa ao cumprimento da Constituição e das leis nacionais. A eventual participação direta de forças estrangeiras em operações internas dependeria de autorizações institucionais e da definição dos limites da cooperação.
As declarações também inserem o Peru no debate regional sobre a ampliação da influência militar dos Estados Unidos na América Latina, em um momento de reforço das estratégias de segurança promovidas pelo governo Trump.
Ao defender a adesão ao Escudo das Américas, Fujimori deixa claro que o combate ao narcotráfico e ao crime organizado estará entre as prioridades de sua administração e que Washington deverá ocupar posição central na política externa e de defesa do próximo governo peruano.
Keiko Fujimori foi oficialmente proclamada presidente eleita pela Justiça Eleitoral do Peru em 3 de julho. A posse está prevista para 28 de julho de 2026.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:
Cortes 247
Crédito: Link de origem