Jaquelino Varela conclui doutoramento com distinção máxima e destaca papel de Cabo Verde na conservação dos tubarões
Um dos aspetos mais interessantes da sua tese foi integrar o conhecimento dos pescadores artesanais com a investigação científica. Que lição retira dessa experiência?
Aprendi que as comunidades piscatórias possuem um conhecimento extremamente valioso sobre o mar, construído a partir da experiência diária. A boa ciência, sobretudo quando aplicada à conservação e ao desenvolvimento, precisa de dialogar com as pessoas, com a experiência local e com a memória ecológica das comunidades.
Que responsabilidade sente em representar Cabo Verde nos fóruns científicos internacionais?
Sinto que, ao participar nesses fóruns, não represento apenas um percurso individual, mas também a capacidade de Cabo Verde produzir conhecimento científico de qualidade e contribuir para os grandes debates internacionais sobre o oceano, o clima e o desenvolvimento sustentável. É simultaneamente um orgulho e um compromisso: estar bem preparado, produzir com rigor e mostrar que o país tem contributos relevantes para oferecer ao mundo.
Cabo Verde pode tornar-se uma referência internacional na proteção dos oceanos e na economia azul?
Acredito que sim. O país reúne condições muito favoráveis: uma localização estratégica, uma vasta área marítima, elevada biodiversidade e uma forte ligação histórica ao mar. Mas isso exige instituições fortes, fiscalização eficaz, investimento em investigação científica e uma articulação efetiva entre ambiente, pescas, turismo e educação. No caso dos tubarões, é fundamental expandir áreas marinhas protegidas, proteger habitats críticos, melhorar os dados sobre capturas e criar um plano nacional de conservação. Se essas medidas forem concretizadas, Cabo Verde poderá afirmar-se como uma referência internacional na conservação marinha.
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