A combinação entre inteligência artificial, prevenção a fraudes, gestão de risco e personalização da experiência do cliente esteve no centro das discussões da FICO World 2026, realizada de 19 a 22 de maio em Orlando, nos Estados Unidos. O encontro reuniu mais de 1.500 executivos, especialistas em tecnologia, bancos e empresas de diversos países para debater os impactos da nova geração de ferramentas analíticas sobre as operações financeiras e os processos de tomada de decisão corporativa.
A edição deste ano foi marcada pelo avanço das discussões sobre inteligência artificial aplicada aos negócios. Em vez de focar apenas no potencial tecnológico da IA, as apresentações se concentraram na capacidade das organizações de transformar modelos analíticos em decisões operacionais concretas, com ganhos de eficiência, redução de riscos e aumento da rentabilidade. O conceito de “decision intelligence”, defendido pela FICO, apareceu de forma recorrente ao longo dos painéis, especialmente em temas relacionados a crédito, prevenção a fraudes e relacionamento com clientes.
Segundo Jason Andrew, vice-presidente e chief revenue officer da divisão de software da FICO, a inteligência artificial deixou de ser um projeto experimental para assumir papel estratégico dentro das instituições financeiras. “Os clientes estão buscando maneiras de transformar inteligência em decisões mais rápidas e mais precisas”, afirmou o executivo durante o evento.
A busca por eficiência operacional apareceu associada a uma preocupação crescente com governança e controle. Em diversos debates, executivos destacaram que a expansão da IA exige mecanismos robustos de monitoramento, explicabilidade dos modelos e integração entre áreas de negócio e tecnologia.
Outro tema de destaque foi o aumento da sofisticação das fraudes digitais. O avanço dos pagamentos instantâneos, da abertura de contas remotas e da digitalização acelerada dos serviços financeiros ampliou a superfície de ataque para criminosos, exigindo respostas cada vez mais sofisticadas das instituições.
Para Adam Davies, vice-presidente de Fraud & Identity Product Management da FICO, os golpes estão migrando de modelos tradicionais para operações altamente automatizadas, impulsionadas por inteligência artificial e ferramentas de automação.
“O crime organizado está industrializando ataques em escala”, destacou o executivo ao abordar o crescimento das fraudes digitais e dos esquemas baseados em identidades sintéticas. Davies também ressaltou que os criminosos vêm utilizando automação para multiplicar tentativas de abertura de contas fraudulentas e explorar vulnerabilidades em processos digitais.
Os debates mostraram que o foco das instituições financeiras deixou de ser apenas detectar fraudes após sua ocorrência. A prioridade agora está na prevenção em tempo real, utilizando modelos analíticos capazes de identificar padrões suspeitos durante a própria transação.
Nesse contexto, a identidade digital ganhou relevância como um dos principais ativos de segurança para bancos, fintechs e plataformas de pagamento. Soluções de autenticação contínua, biometria comportamental e monitoramento de jornada do usuário apareceram entre as apostas do setor para os próximos anos.
A experiência brasileira também teve espaço relevante nas discussões. Rafael Garcia, especialista em fraude e partner success advisor da FICO, destacou que o Brasil se consolidou como um laboratório global para tecnologias de prevenção a fraudes, especialmente após a expansão do PIX e da digitalização dos serviços financeiros.
“O mercado brasileiro se tornou uma referência internacional em inovação para prevenção a fraudes em pagamentos instantâneos”, afirmou.
Segundo Garcia, a velocidade das transações exige que as análises ocorram praticamente em tempo real, o que aumenta a importância de modelos analíticos avançados e do uso combinado de inteligência artificial e dados comportamentais.
Além da segurança, a personalização da relação com os clientes foi outro eixo relevante do encontro. Executivos defenderam que a próxima etapa da transformação digital será marcada pela capacidade das empresas de adaptar ofertas, limites de crédito, comunicações e serviços de forma dinâmica, utilizando informações contextuais e modelos preditivos.
A agenda da conferência também dedicou espaço ao debate sobre resiliência corporativa. Em um ambiente marcado por incertezas econômicas, volatilidade geopolítica e crescente pressão regulatória, bancos e grandes empresas passaram a buscar plataformas capazes de integrar informações de risco, fraude e desempenho operacional em uma única arquitetura decisória.
Ao longo dos quatro dias de evento, ficou evidente que a inteligência artificial já não é tratada como uma tendência futura. Para os participantes da FICO World 2026, a tecnologia passou a ocupar posição central na estratégia das organizações, influenciando desde a concessão de crédito até a prevenção de crimes financeiros e a gestão da experiência do consumidor. O desafio agora, segundo os especialistas, será equilibrar velocidade, automação e confiança em um ambiente cada vez mais digital e orientado por dados.
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