Adversário do Brasil na Copa do Mundo, a seleção do Haiti divulgou nesta sexta-feira (15/5) a lista de 26 convocados para o Mundial. E nada menos 16 deles não nasceram no país. E por motivos que vão muito além dos gramados.
Para entender a atual situação da seleção haitiana é preciso entender o contexto sócio-político e econômico vivido pelo país da América Central.
O Haiti possui hoje um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do mundo, ocupando a 158ª posição entre 193 países (dados de 2025). Mais de 60% da população vive abaixo da linha da pobreza, e o índice de analfabetismo chega a 38%.
A situação no país, já marcado por extrema instabilidade política, ainda foi deteriorada pelas ondas de violência promovidas por gangues locais.
Diante de tal quadro, ocorreu um movimento que ficou conhecido como a Grande Diáspora Haitiana, quando milhares de cidadãos locais optaram por deixar o país, se dirigindo especialmente para França, Canadá e Estados Unidos. Desta forma, há uma grande comunidade de descendente de haitianos nascidos nesses países
Para complicar ainda mais o quadro, o Haiti ainda teve boa parte de seu território abalado pelo grande terremoto de 2010, que provocou mais de 230 mil mortes (entre eles 32 jogadores ou integrantes da comissão técnica vinculados à Federação Haitiana de Futebol) e deixou mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas.
A maior parte da estrutura esportiva do país, que já era precária, também foi destruída, praticamente inviabilizando o treinamento e a prática esportiva no Haiti.
Não por acaso, o Haiti não joga no país desde junho de 2021, após o estádio nacional em Porto Príncipe ser tomado por gangues. Nas Eliminatórias da Copa, a seleção sediou suas partidas como mandante em Curaçao, a cerca de 800km de distância.
TALENTOS MUNDO AFORA
Como uma das formas de tentar ‘reconstruir’ a seleção, a Federação Haitiana de Futebol optou por fazer uma ‘garimpagem de talentos’, buscando jogadores com ascendência haitiana (filhos ou netos de imigrantes).
A estratégia elevou o nível técnico, fazendo com que o Haiti conseguisse chegar a uma Copa pela segunda vez em sua história, contando na maior parte do seu grupo com jogadores que não nasceram no país.
Na lista de 26 convocados do Haiti para a Copa 2026 estão 11 jogadores que nasceram na França, dois nos Estados Unidos, um no Canadá, um em Guadalupe e um na Suíça (Confira na arte ao final da matéria).
A única vez que o Haiti havia participado de uma Copa do Mundo foi em 1974, na Alemanha, quando caiu na fase de grupos após derrotas para Itália, Polônia e Argentina.
De acordo com os dados divulgados em abril, o Haiti ocupava a 83ª colocação no ranking mundial da FIFA. A equipe é comandada pelo francês Sébastien Migné, que, desde que assumiu o cargo, em maio de 2024, ainda não pode comandar o time no país.
Ao lado do Brasil, Escócia e Marrocos, o Haiti está no Grupo C da Copa do Mundo. A estreia haitiana será no dia 13 de junho, contra o time escocês, em Boston. O duelo com o Brasil será na segunda rodada (dia 19), na Filadélfia. Já a última partida da fase de grupos acontecerá no dia 24, diante de Marrocos, em Atlanta.
Onde nasceram os convocados do Haiti para a Copa:
Goleiros:
Johnny Placide (Montfermeil – França)
Alexandre Pierre (Aubervilliers – França)
Josué Duverger (Montreal – Canadá)
Defensores:
Carlens Arcus (Porto Príncipe – Haiti)
Wilguens Paugain (Thomazeau – Haiti)
Duke Lacroix (Nova Jérsei – Estados Unidos)
Martin Experience (Châteaubriant – França)
JK Duverne (Paris – França)
Ricardo Ade (Saint-Marc – Haiti)
Hannes Delcroix (Petite-Riviere d’Elartibonite- Haiti)
Keeto Thermoncy (Fribourg – Suíça)
Meio-campistas:
Leverton Pierre (Tabarre – Haiti)
Carl-Fred Sainthe (Grand-Goâve – Haiti)
Jean-Jacques Danley (Petit-Goâve – Haiti)
Jeanricner Bellegarde (Colombes – França)
Pierre Woodenski (Cité Soleil – Haiti)
Dominique Simon (Pontoise – França)
Atacantes:
Louicius Deedson (Tabarre – Haiti)
Ruben Providence (Lagny-sur-Marne – França)
Josué Casimir (Baie-Mahault – Guadalupe)
Derrick Etienne (Richmond – Estados Unidos)
Wilson Isidor (Rennes – França)
Duckens Nazon (Châtenay-Malabry – França)
Frantzdy Pierrot (Cap-Haitien – Haiti)
Yassin Fortune (Aubervilliers – França)
Lenny Joseph (Paris – França)
Crédito: Link de origem