Mike Maignan, goleiro titular da França e destaque da seleção na Copa do Mundo, nasceu bem mais perto do Brasil do que muita gente imagina. O jogador de 31 anos é natural de Caiena, capital da Guiana Francesa, localizada a menos de 200 km de Oiapoque, no extremo norte do Amapá.
Eu ainda estava na academia, tentando fazer cara de naturalidade enquanto ajustava o banco de um aparelho que parecia ter sido criado para humilhar mulheres de pouca paciência, quando apareceu a pergunta: “Goleiro da França é brasileiro?”. Quase larguei o peso no pé. Porque o Brasil foi eliminado, mas segue tentando achar um parente, um CEP, uma certidão ou uma avó amazônica em qualquer semifinalista.
A resposta curta é: não, Maignan não é brasileiro. Ele nasceu perto do Brasil, mas nasceu em território francês. A Guiana Francesa é um departamento ultramarino da França, ou seja, uma extensão oficial do país europeu na América do Sul. Na prática, quem nasce lá é cidadão francês.
E é aí que a cabeça do torcedor dá aquela travada deliciosa. O goleiro da França nasceu na América do Sul, do lado do Amapá, mais perto de Oiapoque do que muita gente que joga no Brasileirão, mas defende os Bleus sem nenhuma gambiarra de nacionalidade. É França mesmo, só que com endereço tropical.
Maignan não é o primeiro nome nascido na Guiana Francesa a vestir a camisa da seleção francesa em Copas. O goleiro Bernard Lama, reserva da França campeã mundial em 1998, e o meia Florent Malouda, vice-campeão em 2006, também nasceram no território. Malouda, inclusive, chegou a participar de treinamento para integrar o exército francês na Amazônia local.
Na carreira, Maignan passou pela base do Paris Saint-Germain, estreou profissionalmente pelo Lille e atualmente defende o Milan, da Itália. Nesta Copa, disputa seu primeiro Mundial como titular e chega à semifinal como um dos goleiros menos vazados do torneio, com apenas dois gols sofridos em seis partidas.

A França enfrenta a Espanha nesta terça-feira (14), às 16h, em Dallas, por uma vaga na final da Copa do Mundo. Do outro lado, Maignan terá justamente um concorrente direto no quesito defesa sólida: Unai Simón, goleiro espanhol que também aparece entre os menos vazados da competição.
Eu acho essa história ótima porque ela mostra como a geografia adora zombar da nossa certeza. Maignan não é brasileiro, mas nasceu ali, quase na porta do Oiapoque, defendendo uma França que também é amazônica. Se o Brasil não tem mais goleiro na Copa, pelo menos tem vizinho guardando a meta dos outros. É pouco, mas para torcedor órfão de semifinal, qualquer parentesco cartográfico já vira consolo.
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