Empresas brasileiras no Paraguai têm redução de custos

O movimento de instalação de indústrias brasileiras no Paraguai vem crescendo e já alcança setores como autopeças, confecções, plásticos, metalurgia, alimentos, agroindústria e logística. Nos últimos anos, também avançaram os investimentos em tecnologia, centros de distribuição e serviços.

O sócio diretor da CPA Ferrere no Paraguai e Uruguai, Pedro Ayala, me explicou que um dos principais atrativos é o Regime de Maquila. O modelo permite a importação de máquinas, equipamentos e matérias-primas sem o pagamento de tributos para a produção destinada à exportação. Em vez de uma estrutura tributária complexa, a empresa recolhe apenas 1% sobre o valor agregado gerado no país. O Paraguai também oferece estabilidade tributária, liberdade para remessa de lucros e um ambiente regulatório mais simples que no Brasil.

A diferença de custos ajuda a explicar a transferência de empresas brasileiras para o Paraguai. Dependendo da atividade, a economia fica entre 20% e 40% em relação ao Brasil. A energia elétrica é um dos principais fatores: graças à disponibilidade de geração hidrelétrica, empresas podem gastar de 30% a 60% menos com energia. O custo total da mão de obra também é menor, especialmente pela diferença nos encargos trabalhistas.

A carga tributária reforça o contraste. Enquanto no Brasil ela supera 30% do PIB, no Paraguai gira em torno de 15%. Segundo Pedro Ayala, mais do que pagar menos, os empresários brasileiros buscam previsibilidade e menor burocracia.

O principal polo industrial está no Alto Paraná, especialmente em Ciudad del Este, Minga Guazú e Hernandarias. Também concentram investimentos a cidade de Villeta, pela estrutura portuária, e na região metropolitana de Assunção, Pedro Juan Caballero e Encarnación.

Com a opção das empresas brasileiras pelo Paraguai, o Brasil está perdendo investimentos ou as companhias estão ampliando sua competitividade internacional?

Eu fiz essa pergunta aos diretores da Vbr Brasil e CPA Ferrere. Na opinião de Pedro Ayala, a expansão paraguaia não significa necessariamente uma fuga de empresas brasileiras. Em muitos casos, ocorre uma integração das cadeias produtivas. Ou seja, a administração, o desenvolvimento de produtos, as áreas comercial e financeira permanecem no Brasil, enquanto parte da produção é transferida para o Paraguai.

Já Wesley Figueira acredita que a estratégia pode ampliar a competitividade internacional, mas faz um alerta. Para ele, o Brasil corre, cada vez mais, o risco de perder investimentos para o país vizinho, que vem crescendo, simplificando o ambiente de negócios e oferecendo maior estabilidade de regras e contratos.

E para concluir esta série eu faço um alerta de que esse movimento acende um sinal amarelo para o Brasil. Se a indústria brasileira começa a produzir do outro lado da fronteira para continuar competitiva, a pergunta deixa de ser: por que o empresário está indo embora? e passa a ser: o que o Brasil precisa fazer para convencê-lo a ficar?

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