Em meio a crime e instabilidade, Peru escolhe presidente
Os peruanos elegem um novo presidente, dentre um número recorde de 35 candidatos, para governar um país assolado pelo crime organizado e pela instabilidade. Crédito: Carmem Cuesta-Roca/ various sources /AFP
A coalizão Juntos Pelo Peru, do candidato de esquerda Roberto Sánchez, informou nesta terça-feira, 16, que não reconhecerá os resultados do segundo turno das eleições presidenciais. Com 99% das urnas apuradas, Sánchez aparece com 49,91% dos votos, e a adversária, a direitista Keiko Fujimori, com 50,09%.
Em postagem nas redes sociais, a coalizão convocou manifestações por todo o Peru para esta quarta-feira, 17, com “plantões cidadãos e vigílias”. Na sexta-feira, 19, a Juntos Pelo Peru programou uma “grande mobilização nacional” na capital Lima, com o pedido de que seja pacífica e organizada.
A coalizão critica o processo eleitoral, que considera ter “deslegitimado” o voto dos cidadãos e “não refletir a vontade popular de forma transparente”.

Coalizão Juntos Pelo Peru, de Roberto Sánchez, convocou manifestações por todo o Peru e informou que não reconhecerá resultado das eleições Foto: Ernesto Benavides/AFP
“Denunciamos a falta de transparência dos órgãos que conduzem o processo eleitoral, a mudança das regras eleitorais no meio do processo, uma série de irregularidades, motivos para anulação e manobras político-midiáticas que ameaçam a justiça eleitoral e a vontade soberana do povo peruano”, afirmou o agrupamento de organizações de esquerda em comunicado oficial.
O próprio Sánchez já havia proposto a Keiko na última sexta-feira, 12, que os dois solicitassem uma recontagem de todos os votos, também mencionando uma suposta falta de transparência.
A diferença entre os dois candidatos no segundo turno é de cerca de 33 mil votos, com mais de nove milhões de votos contabilizados para cada um. A contagem foi iniciada logo após o término do segundo turno, no dia 7 de junho, e ainda não foi finalizada.
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O mapa da votação revela um país dividido regionalmente. Sánchez obteve vantagem na maior parte dos departamentos do interior, enquanto Keiko concentrou seu desempenho em regiões mais populosas, incluindo Lima, fator que tem sido decisivo para a manutenção de sua liderança na reta final da apuração.
Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 e foi condenado e preso por crimes contra a humanidade. Já Sánchez é o herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, que cumpre pena de 11 anos por uma tentativa de autogolpe de Estado em 2022.
Esta é a quarta candidatura de Keiko à presidência, enquanto para Sánchez é a primeira tentativa. O vencedor substituirá o presidente interino José María Balcázar em 28 de julho, para um mandato de cinco anos.
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