Eclipse total pela Europa: céu escurece em Portugal, ciência celebra e NASA analisa impactos na atmosfera

Marco para a Ciência

Sempre que ocorre um eclipse, a Ciência celebra. O fenómeno do Sol a ser tapado pela Lua traz não apenas um encantamento quase sobrenatural, mas também alterações reais que são alvo de muitos estudos. Para acompanhar este momento, a NASA enviou uma missão com dois jatos de alta altitude.

Os pilotos partiram do Aeroporto de Keflavík, no extremo Oeste da Islândia, rumo à Gronelândia, a Norte, fazendo depois uma curva para seguir para Sul, numa trajetória ligeiramente arqueada a cerca de 64km da costa islandesa, voando a uma velocidade de 460 milhas por hora (aproximadamente 740km/h).

Os jatos estiveram o mais perto possível do Sol, para fotografar a coroa solar no ápice do eclipse. Segundo a NASA, durante um eclipse é possível estudar a atmosfera da Terra sob condições incomuns, fundamentais para a compreensão dos impactos da luz do Sol, do vento solar e fluxo de partículas emitidas para o Sistema Solar. Além dos jatos, a agência enviou duas equipas com balões para a Islândia e Espanha, para captar outras alterações.

Diferente da oscilação que acontece diariamente ao amanhecer e ao anoitecer, um eclipse solar traz a possibilidade de se estudar a atmosfera superior, onde a energia solar gera uma camada de partículas carregadas, conhecida como ionosfera. É nela que estão situados muitos satélites que transmitem sinais de comunicação, como ondas de rádio e de sistemas de GPS. Segundo a NASA, alterações nesta camada podem impactar de forma significativa sistemas de tecnologia, daí a relevância de se compreender o seu funcionamento.

Todo o eclipse gera descobertas científicas, mas gera também uma memória única. “Vi assim uns 90% do Sol coberto, depois ficou como uma Lua minguante” descreveu Victor Assis. “Rápido, mas valeu a pena.” Outro como este, em Portugal, só daqui a muitos anos. “Por isso, vim aproveitar”, disse, satisfeita, Maria Alice, fascinada com esta experiência que, quase a completar nove décadas de vida, veio para marcar.

caroline.ribeiro@dn.pt

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