Dois centros de saúde fechados por desinformação em Moçambique

“As unidades sanitárias estão encerradas, por aproximadamente dois meses, por conta das ameaças que os provedores de saúde foram recebendo a nível local, evidentemente tinham também de salvaguardar a sua vida, e tiveram de retirar-se das unidades e ficaram encerradas por todo este período”, disse à Lusa Nalcil Baisson, médico e chefe da repartição de saúde pública na Direção Provincial de Saúde em Nampula.

Segundo o responsável, os profissionais de saúde sofreram “ameaças bastante fortes e concludentes” no distrito de Monapo devido à desinformação sobre cólera, levando à interrupção dos serviços para cerca de 70 mil habitantes, agora obrigados a percorrer longas distâncias em busca de assistência médica.

“Neste período em que estão encerradas [as unidades de saúde] infelizmente a população deve percorrer longas distâncias para encontrar os serviços de saúde. Nós temos a penitenciária de Monapo, tem um posto de saúde lá. Bom, é um posto de saúde com serviços básicos e a população acaba recorrendo a este [também] (…) para garantir assistência”, disse Nalcil Baisson.

O médico avançou que estava prevista para esta semana a reabertura dos centros de saúde, na sequência de vários encontros entre o governo distrital e a comunidade.

“Estamos agora à espera do relatório final do governo distrital que está a intervir diretamente neste caso, para garantir o fornecimento dos serviços de saúde naquelas duas unidades sanitárias”, acrescentou o responsável.

Além de Monapo, Nalcil Baisson apontou os distritos de Nacala Porto, Mogincual, Ilha de Moçambique, Meconta, Nacala Velha e Mossuril com surtos ativos de cólera, enquanto Mogovolas, Moma, Eráti e Memba foram oficialmente declarados livres da doença.

Baisson disse ainda que decorre um inquérito, liderado pelo Instituto Nacional de Saúde moçambicano e que envolve antropólogos e sociólogos, para apurar as causas da “desinformação constante” sobre cólera que afeta Nampula e o país, não obstante as campanhas de sensibilização realizadas pelas autoridades de saúde.

Em março, a mesma fonte alertou que a desinformação está a dificultar as ações de sensibilização sobre a origem e prevenção da cólera em Nampula, um dos principais epicentros da doença, registando-se casos de “agressões e destruição de residências de líderes locais, incluindo agentes polivalentes”.

Também o ministro da Saúde moçambicano alertou, em março, para o impacto da desinformação sobre a cólera, sublinhando que 74% das mortes provocadas pela doença ocorrem nas comunidades porque os doentes não procuram os serviços de saúde.

Nampula tem um cumulativo de 3.797 casos de cólera e um total de 39 óbitos, segundo o último boletim de atualização de dados da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP).

Moçambique registou 100 casos de cólera na última semana, ultrapassando 8.600 infetados na atual epidemia, desde setembro, mas a abrandar e sem mortos há mais de um mês, segundo dados da DNSP.

Entre o final de fevereiro e o início de março, as autoridades de saúde moçambicanas chegaram a registar diariamente mais de 100 novos infetados, com surtos ativos em cerca de 25 distritos do país, indicadores que estão em queda nas últimas semanas, associado ao fim da época das chuvas (outubro a abril).

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