Desde os 18 anos que vive sozinho numa aldeia e quase nunca precisa de ir ao supermercado

Nos últimos anos, têm surgido cada vez mais histórias de pessoas que decidiram abandonar os centros urbanos para procurar uma vida mais próxima da natureza e, em muitos casos, mais autossuficiente.

É precisamente esse o caso de Arnau Serrado, jovem catalão de 24 anos. Com apenas 18 anos decidiu Barcelona pelas montanhas da Catalunha, uma vez que, conta, nunca se identificou com o estilo de vida urbano.

“Nunca gostei verdadeiramente de viver lá. Acordava de manhã com pouca energia, estava a estudar e cheguei a pensar que tinha anemia. Sentia-me sem vontade de fazer nada”, conta num vídeo de YouTube partilhado pelo canal Corraleros e no seu canal homónimo.

Apesar de já ter vontade de se mudar, o momento decisivo foi depois de em 2021 ter tido um acidente de carro quase fatal. Foi quando percebeu que devia viver onde era mais feliz, mudando-se então para uma pequena aldeia, onde os pais tinham uma habitação só usada aos fins de semana, e começar assim uma vida completamente diferente.

E, sem saber, desde os 15 anos que já preparava esse estilo de vida. 

“A partir dos 15 anos comecei a sair para caçar com o grupo de caçadores da aldeia. Foi aí que aprendi o que significa aproveitar a carne para consumo e tudo o que envolve esta atividade”, conta. Contudo, o jovem espanhol não vive exclusivamente daquilo que caça. A sua alimentação depende também da produção agrícola e de alguns produtos adquiridos no supermercado, como arroz ou azeite.

Mas Arnau almeja ser totalmente autossuficiente no futuro, e não está longe disso: grande parte dos vegetais que consome nasce na horta da propriedade, onde cultiva produtos como tomates, feijão e abóboras; no jardim tem uma estufa para prolongar a produção de alimentos ao longo do ano; e tem ainda uma pequena exploração agrícola com galinhas, patos, frangos e cabras. 

O desafio de viver na montanha

Viver isolado na montanha pode ser uma ideia romântica, mas não deixa de ter os seus desafios. As tarefas acumulam-se diariamente entre o cuidado dos animais, a manutenção da propriedade, o cultivo da terra e a gestão dos recursos disponíveis; e o isolamento significa ainda que muitos problemas têm de ser resolvidos sem a facilidade de recorrer rapidamente a serviços ou infraestruturas urbanas. 

Contudo, o jovem não está completamente isolado. Continua ligado ao mundo digital, sendo o Instagram a sua principal fonte de rendimento, uma vez que é por lá que promove a sua criação de coelhos.

“Um dia pensei que gostava muito de criar coelhos para pessoas que quisessem ter um. Informei-me sobre como lhes dar os melhores cuidados, espaço suficiente e garantir que vivem em grupo sem problemas”, explica.

A história de Arnau mostra assim como é possível viver mais próximo da natureza, sem abdicar totalmente das ferramentas que a tecnologia oferece.

 


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