Desaparecimento de três alpinistas em Huascarán, montanha mais alta do Peru, completa duas semanas; o que se sabe
Há duas semanas, os alpinistas Alejandro Manuel Ugarte Jordán, Freddy Saúl Mendoza Lizana e Artidoro Salas Gaitán conseguiram fazer um último contato para informar que estavam perdidos durante a escalada ao Monte Huascarán, montanha mais alta do Peru. O trio está desaparecido desde então. Apesar de esforços de equipes, não se sabe o que aconteceu com os homens.
- Alpinistas desaparecidos: Por que escalar o Huascarán está se tornando cada vez mais perigoso?
- Mais de R$ 530 mil: Homem e duas mulheres ficam isolados em montanha no Chile por seis noites e podem ter que pagar por operação de resgate; entenda
Há uma corrida contra o tempo para tentar localizá-los. De acordo com a última informação, e com dados cruzados de equipamentos e usavam, eles estariam a 6 mil metros acima do nível do mar, o que torna as condições naturais ainda mais difíceis. Além do terreno inóspito, com neve, riscos de fendas e de avalanches e baixas temperaturas, os fortes ventos e o tempo fechado impedem o sobrevoo de aeronaves e drones, equipamentos que poderiam agilizar as buscas.
À medida que o tempo passa riscos como desnutrição, desidratação e hipotermia aumento. Os equipamentos deixados para trás, em uma das bases de acampamento usada por alpinistas, apontam que eles não foram preparados para pernoite em outro ponto da montanha, tendo deixado suas barracas, importante para enfrentar as baixas temperaturas.
Sofía García, irmã de Alejandro Manuel, tem pedido que equipes especializadas de outros países se juntem às buscas pelos alpinistas. Segundo ela, as famílias têm arcado com os custos de contratação de especialistas que se juntaram a agentes de autoridades peruanas. Ainda assim, parece não terem havia avanços.
Abaixo, os principais pontos sobre o desaparecimento dos três alpinistas em Huascarán:
As buscas continuam após duas semanas?
Na segunda-feira (27), Eric Raúl Albino Lliuya, presidente do Socorro Andino Peruano, afirmou uma pausa na operação de buscas em alta montanha devido às condições climáticas, além de reforço de especialistas dadas as complexidades do terreno. As mesmo tempo, as famílias dos montanhistas têm se mobilizado para pedir apoio internacional de países vizinhos, em especial com aeronaves, o que poderia agilizar as buscas. Parentes dos três montanhistas arcam, desde os primeiros dias, com os custos de grupos privados de especialistas.
- Concurso elege finalistas das melhores fotos do espaço; veja imagens que disputam prêmio de R$ 70 mil
Quando foi o último contato dos alpinistas?
O último contato do trio, por meio de mensagens enviadas às famílias, foi na manhã do dia 14 de julho. Os homens estariam em “La Garganta”, trecho entre os acampamentos 1 e 2 do Monte Huascarán, numa altitude aproximada de 6 mil metros acima do nível do mar. O último contato direto com eles foi registrado às 10h daquele dia. Quinze minutos depois, às 10h15, Alejandro Manuel conseguiu enviar uma breve e alarmante mensagem de texto, dizendo: “Perdidos”.
Por que eles estavam no Monte Huascarán?
Eles faziam a escalada com objetivo de chegar ao cume, segundo relataram as famílias. Com início das operações de equipes de resgate e de emergência, foi constatado que eles deixaram numa das bases do trajeto suas barracas, possivelmente numa estratégia de carregar a menor quantidade de equipamentos durante o percurso. Isso faz com que os três não tenham garantia de abrigo para passar por períodos de baixa temperatura, como as madrugadas, o que pode oferecer riscos à saúde.
Os alpinistas já foram localizados?
Até o momento, os três alpinistas não foram localizados. Dias após o relato do desaparecimento equipes de resgate teriam encontrado o que seriam vestígios da passagem dos três alpinistas por um dos trechos da nevada montanha. Foi necessário auxílio de aeronaves para sobrevoar o trecho por onde teriam passado.
- ‘El Topito’: menino de 10 anos ajuda em operações de busca na Venezuela após terremotos
Quais os desafios da operação de resgate?
A operação de resgate foi seriamente prejudicada pelas condições climáticas e geográficas adversas, típicas do montanhismo em alta altitude. A situação foi agravada por dificuldades de coordenação com um helicóptero da Polícia Nacional Peruana (PNP), o que dificultou o acesso à área e atrasou os esforços para localizar os alpinistas.
Por que autoridades fecharam trecho de Huascarán?
No dia 20, autoridades locais anunciaram que o trecho onde o trio teria se perdido — entre o Acampamento 1 e o Acampamento 2 — seguirá fechado pelo período de 15 dias para os trabalhos de buscas pelos alpinistas. Assim, não será permitido acesso de turistas, nacionais e estrangeiros. Apenas as equipes que participam da operação para encontrar e resgatar os homens podem ter acesso a essa rota da montanha.
- Altas temperaturas: Roma cria ‘refúgios climáticos’ com entrada gratuita em cinemas e bibliotecas para enfrentar o calor
Já se sabe o que aconteceu com os alpinistas?
Não se sabe ao certo, ainda, o que aconteceu com os três. A principal hipótese indica que os alpinistas caíram em uma das profundas fendas ou ravinas localizadas a mais de 6 mil metros acima do nível do mar, após tentarem descer devido a complicações de saúde de um dos membros da equipe, segundo o jornal peruano El Comercio.
O que os drones usados para sobrevoar a área onde teria ocorrido o desaparecimento mostraram?
Em entrevista ao El Comercio, o presidente da Associação Peruana de Guias de Montanha (AGMP), Beto Pinto Toledo, informou que a equipe de resgate utilizou um drone especializado para reforçar as buscas pelos três alpinistas desaparecidos. As imagens obtidas foram comparadas com as últimas coordenadas registradas no relógio Garmin de Alejandro Ugarte. Os socorristas também analisaram fotografias, vídeos e as últimas mensagens enviadas pelos alpinistas antes da perda total de contato. Após avaliar as informações coletadas, os guias identificaram duas áreas de alto risco. Uma delas é uma grande fenda, enquanto a outra é uma encosta íngreme e estreita, acessível apenas por rapel, onde o sinal do dispositivo de Ugarte teria sido interrompido. Pinto explicou que, após triangulação das informações disponíveis, estimam que os alpinistas estejam a aproximadamente 6.400 metros acima do nível do mar, em uma área com fendas que ultrapassam 100 metros de profundidade, o que torna o resgate uma missão extremamente complexa e arriscada.
Sobreviventes de tragédia nos Andes retornam à montanha onde amigos mortos foram salvos
Passados 51 anos da queda do avião, uma das histórias mais conhecidas de luta por sobrevivência é recontada em filme
Crédito: Link de origem