Contra o Haiti, Matheus Cunha fez mais gols com a 9 da seleção do que todos os marcados com a camisa no ciclo

A cena de Matheus Cunha comemorando seus gols sobre o Haiti foi um momento incomum na seleção. E não por sua imitação de surfista. É que ver um jogador com a camisa 9 balançar as redes se tornou raro nos jogos do Brasil, a ponto de ter caído no esquecimento da maioria dos torcedores. A última vez foi há mais de dois anos. Um hiato que ajuda a entender a importância do feito do atacante.

O último a marcar usando a 9 foi Endrick, em amistoso contra o México, em 8 de junho de 2024. O próprio já havia quebrado, na ocasião, um jejum de um ano e meio. Antes dele, o mais recente a balançar as redes carregando este número havia sido Richarlison, contra a Coreia do Sul, pela Copa do Mundo do Catar, em 5 de dezembro de 2022. Ou seja: os dois de Cunha sobre o Haiti foram mais do que um atleta com a camisa havia marcado em todo o ciclo para 2026.

Se olhamos para trás em busca de quem, assim como ele, marcou dois na mesma partida, precisamos retornar também para Copa de 2022. Na estreia, em 24 de novembro, Richarlison havia feito os dois do Brasil contra a Sérvia.

O número em si é só um detalhe. Com outra camisa, o próprio Cunha já havia marcado no ciclo, assim como Igor Jesus, além de outros feitos pelo próprio Endrick. Só que este dado reflete a crise de centroavantes que tomou conta da seleção nos últimos anos.

Neste ciclo, o ataque foi liderado por jogadores que atuam pelos lados ou por trás do homem mais à frente, como Vini Jr, Raphinha e Rodrygo. Não por acaso, os três lideram a artilharia da seleção no pós-2022, com o camisa 7 na frente, com nove marcados. O primeiro centroavante aparece apenas em quinto na lista: é Endrick, com quatro.

Outro dado é mais revelador sobre a crise da posição. Do total de 68 gols marcados pela seleção neste ciclo, somente dez foram de jogadores que costumam ser escalados como centroavantes.

O próprio Cunha não preenche o perfil em todos os quesitos. Na verdade, é um atacante de mobilidade que joga melhor por trás.

Embora haja esta compreensão do técnico Ancelotti, ele sofre com a pressão da torcida para que seja mais goleador. Uma cobrança que levou o próprio italiano a buscar Igor Thiago no Brentford-ING e até mesmo a lhe alçar a titular da seleção, o que não deu certo na estreia contra Marrocos.

Os dois gols de Cunha devem suspender, ao menos momentaneamente, esta dança das cadeiras. E tão importante quanto: ele alcançou este feito sem abrir mão de suas características. Uma injeção de confiança para a sequência da Copa.

— Eu faria qualquer coisa para estar aqui, independentemente da camisa. Mas poder usar a 9 numa Copa do Mundo… Foram tantos jogadores que usaram essa camisa. Poder ser mais um na história a desempenhar e fazer os gols para ajudar… O Brasil é isso. Vestir a camisa, entender e aceitar essa camisa 9, que é mais um privilégio do que um peso a carregar — refletiu Cunha.

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.