Conselheiros das Comunidades Portuguesas da América Central e da América do Sul recebem obra que documenta a presença histórica de Portugal no Uruguai
A obra “Huellas de Portugal en Uruguay”, da autoria de Augusto Antonio Guerra, com investigação complementar de Carlos Texeira Varesi dedicada às “Raízes Portuguesas de la Ciudad de Salto”, foi entregue aos membros do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da América Central e da América do Sul (CRACS), durante a reunião realizada nos dias 10 e 11 de abril, na Casa de Portugal de Montevideu, passando igualmente a integrar o acervo documental da instituição, presidida por Inês Guerra.
A entrega da publicação constituiu um dos momentos de maior simbolismo cultural da reunião do Conselho Regional, reforçando a importância da preservação da memória histórica das comunidades portuguesas na América Latina e do reconhecimento do contributo dos emigrantes portugueses para a construção da identidade uruguaia.

Da autoria do antigo conselheiro das Comunidades Portuguesas Augusto Antonio Guerra, a publicação reúne um vasto conjunto de informações sobre a presença portuguesa em diferentes regiões do Uruguai, procurando “identificar vestígios materiais, documentais e humanos da emigração lusa, desde os primeiros povoamentos até às comunidades que continuam hoje a preservar esse património”. A publicação percorre “diferentes momentos da presença portuguesa no Uruguai”, documentando a “participação dos emigrantes no desenvolvimento económico, comercial e social do país”, bem como a “criação de associações, clubes, espaços culturais e instituições” que “ajudaram a preservar a identidade portuguesa ao longo de várias gerações”.
Entre os temas abordados encontram-se diversos locais associados ao património luso, incluindo edifícios históricos, memoriais, placas evocativas e outros testemunhos da presença portuguesa no Uruguai, com foco em cidades como Montevidéu e Salto.

Em paralelo, a investigação desenvolvida por Carlos Texeira Varesi dedica especial atenção à cidade de Salto, no noroeste do país, na fronteira com a Argentina, identificando famílias de origem portuguesa, edifícios, monumentos, instituições e episódios históricos que testemunham a influência da comunidade portuguesa naquela região uruguaia.
Segundo apurámos, o objetivo da obra passa por “reunir, de forma sintética, as pegadas de Portugal e dos portugueses no território uruguaio”, oferecendo um “instrumento de consulta” destinado tanto aos descendentes de portugueses como a investigadores, estudantes e todos os interessados na história da emigração portuguesa na América do Sul.
A obra evidencia ainda a importância das instituições portuguesas na preservação da língua, das tradições e da memória coletiva, destacando o papel desempenhado pela Casa de Portugal de Montevidéu e por outras organizações da comunidade ao longo das últimas décadas.

A distribuição da obra junto dos representantes eleitos das comunidades portuguesas pretende também incentivar a divulgação deste património histórico junto das diferentes comunidades da diáspora, reforçando o conhecimento sobre um capítulo muitas vezes pouco conhecido da presença portuguesa na América do Sul.
Deste modo, ao reunir investigação histórica, documentação patrimonial e testemunhos da emigração portuguesa, “Huellas de Portugal en Uruguay” ou “Marcas de Portugal no Uruguai”, em tradição livre, e “Raízes Portuguesas de la Ciudad de Salto” ou “Raízes portuguesas da cidade de Salto”, também em tradução livre, assume-se como “uma das mais recentes contribuições para o estudo das comunidades lusas no continente americano, com foco no universo “Portugal Luso-Oriental Uruguai”, preservando a memória de gerações de portugueses e luso-descendentes que ajudaram a construir parte da história do Uruguai”. ■
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