Como a perda de confiança nas instituições comprometeu o futuro do Brasil

O Brasil discute inflação, juros, crescimento econômico e eleições. Mas talvez esteja ignorando um problema mais profundo: a lenta erosão da confiança nas instituições. Peter Drucker provavelmente diria que este é o verdadeiro “futuro que já aconteceu”.

Drucker costumava afirmar que não acreditava em previsões. Preferia identificar mudanças que já estavam em curso, mas cujas consequências ainda não haviam sido plenamente compreendidas. Foi assim que antecipou muitas das transformações do século XX. Em vez de se concentrar nas manchetes do dia, observava tendências estruturais capazes de moldar a sociedade, a economia e a política. Se aplicarmos essa lente ao Brasil contemporâneo, surge uma pergunta inevitável: qual mudança já ocorreu e ainda não compreendemos totalmente?

Uma possível resposta está na crescente perda de confiança nas instituições. Escândalos de corrupção recorrentes, acusações de lawfare, percepção de seletividade na aplicação da lei e crescente polarização política produziram algo potencialmente mais grave do que qualquer crise econômica: a dúvida sobre a imparcialidade das instituições que sustentam a democracia e o Estado de Direito.

Drucker nunca foi um pensador partidário. Seu foco estava na qualidade das instituições e na responsabilidade dos líderes. Para ele, a integridade não era apenas uma virtude desejável; era a base sobre a qual organizações eficazes e sociedades prósperas são construídas.