Câncer: hábitos preventivos evitam até 40% de todos os casos de câncer — Portal Institucional do Senado Federal

A relação do organismo com o ambiente e os hábitos do cotidiano respondem por 90% a 95% dos casos de câncer, enquanto apenas 5% a 10% dos registros são hereditários. Os dados integram a segunda edição do livro A Situação do Câncer no Brasil, lançado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Apesar disso, um em cada quatro brasileiros não sabe que a doença pode ser evitada, segundo o acompanhamento Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer. Saber como agir é o primeiro passo para a prevenção.

Segundo o coordenador-geral da Secretaria Integrada de Saúde (Sisaude), Sílvio Braz, prevenir-se significa evitar ou reduzir o contato com estímulos externos antes que eles provoquem danos irreversíveis ao DNA das células.

— Há um longo intervalo entre o hábito de risco, como fumar ou alimentar-se mal na juventude, e o diagnóstico da doença. Isso dificulta a percepção de causa e efeito e reforça a ideia cultural de que o câncer seria uma sentença inevitável — explicou o médico.

Parar de fumar, incluindo os cigarros eletrônicos, praticar exercícios e manter o peso adequado são os principais hábitos recomendados pelo Inca para reduzir riscos. A atividade física regular (de 150 a 300 minutos por semana) e uma alimentação in natura, sem ultraprocessados e bebidas alcoólicas, diminuem as chances de tumores associados a fatores evitáveis. Entre eles, estão os cânceres de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe, esôfago, colorretal, mama (pós-menopausa), endométrio, fígado, colo do útero e pele (não melanoma).

— Evidências científicas demonstram que as ações de prevenção primária, focadas no estilo de vida, podem evitar até 40% de todos os casos de câncer. O tabagismo permanece como o principal fator de risco isolado, associado a 85% dos casos de câncer de pulmão. A obesidade gera um estado inflamatório crônico que eleva o risco de pelo menos 13 tipos de tumores. Já o consumo de álcool não possui dose segura quando o assunto é prevenção oncológica — destacou Silvio.

Gatilhos

Recentemente, o Conselho de Supervisão do Sistema Integrado de Saúde (SIS) ampliou a cobertura de vacinas e reduziu o limite máximo para o desconto em folha de pagamento. Agora, é a hora de buscar informações e atualizar a caderneta de vacinação. Segundo Silvio, as vacinas contra HPV e hepatite B são essenciais na prevenção primária, pois evitam infecções por vírus que podem causar câncer.

O imunizante contra o HPV, por exemplo, reduz drasticamente a incidência de câncer de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe. O público-alvo inclui homens e mulheres de 9 a 45 anos. A vacina é ideal para crianças e adolescentes antes do início da vida sexual, mas também beneficia adultos que já tiveram contato com o vírus.

Pele

É indispensável cuidar da pele no Brasil, onde o sol brilha intensamente na maior parte do ano. Segundo dados do Inca, o câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais frequente e de maior incidência no Brasil. Silvio pontua que esse tipo de câncer representa cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos do país, e o dano causado pela radiação ultravioleta (UV) acumula-se nas células ao longo dos anos.

Mitos

O Senado organiza ações de prevenção para os colaboradores, como as campanhas Outubro Rosa, Novembro Azul e de vacinação. Os servidores também têm acesso aos Exames Periódicos de Saúde (EPS) no mês do aniversário quando, entre outras coisas, é possível detectar precocemente riscos de doenças do coração e metabólicas.

Silvio explica que as campanhas são complementadas com ações educativas como palestras, guias campanhas informativas e matérias em veículos internos. Segundo Silvio, essas iniciativas buscam vencer o mito de que quem não tem histórico de câncer na família está totalmente seguro.

— Como vimos nos dados epidemiológicos do INCA, mais de 90% das pessoas que desenvolvem a doença não possuem nenhum parente de primeiro grau afetado. O câncer esporádico é o mais comum e surge da soma do envelhecimento celular natural com as nossas exposições diárias. Portanto, ter hábitos saudáveis e realizar os exames de rastreamento no tempo correto são obrigações de saúde e prevenção de todo cidadão, independentemente do histórico familiar. Cuidar de si agora é a ferramenta mais poderosa para reescrever as estatísticas do futuro.

Rastreamento

Os exames de rastreamento identificam lesões e tumores ainda no início, antes mesmo de surgirem os sintomas. Confira as recomendações:

  • Mulheres (25 a 64 anos): exame preventivo do colo do útero (papanicolau) a cada três anos. A recomendação vale após dois exames anuais seguidos com resultado normal.
  • Mulheres (50 a 69 anos): mamografia de rastreamento a cada dois anos.
  • Homens e mulheres (a partir de 45 ou 50 anos): rastreamento do intestino (colorretal) por meio de colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  • Homens (a partir de 50 anos, ou 45 com fatores de risco): avaliação da próstata decidida em conjunto com o médico.

O médico reforça também a importância de aderir aos exames periódicos anuais, de participar das palestras de saúde promovidas pela Casa e de consumir as informações sobre saúde disponibilizadas pela intranet.

Reportagem da intranet do Senado Federal

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