A consagração da Espanha de Luis de la Fuente contra a Argentina de Lionel Messi foi um contraste entre um time que terá que se reinventar ao dizer adeus à maior figura da sua história e uma seleção que volta pra casa com a sensação de que as coisas estão apenas começando. Pode parecer loucura dizer isso, já que eles acabam de conquistar a tríplice coroa: Copa, Euro e Olimpíadas. Acontece é que eles venceram quase tudo isso nos últimos três anos — além de uma Nations League — com uma equipe muito jovem.
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Com uma média de idade de apenas 26,7 anos, só cinco seleções eram mais jovens do que a Espanha entre as 48 da Copa. E não é por acaso. O sucesso da Espanha é o sucesso do planejamento, da constância, da aposta em um sistema unificado de formação de jogadores na base, onde todos os clubes formam o mesmo tipo de atletas para o mesmo tipo de sistema.
Não por acaso, no domingo a Espanha celebrou o segundo título conquistado pela sua seleção em julho. O primeiro foi o Europeu Sub-19, há duas semanas, no País de Gales, com uma vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha que fechou uma campanha impecável, em um campeonato em que venceu todos os jogos, marcando impressionantes 19 gols em sete partidas sem sofrer nenhum.
Foi a terceira final consecutiva da Espanha no campeonato, do qual é recordista com 13 títulos. A base vem forte e, diferentemente da atual seleção principal, esta é formada por seis jogadores do Real Madrid, que, não por acaso, venceu esse ano a Youth League, a Champions juvenil.
A Espanha é o único país que ganhou duas Copas no Século XXI e venceu três das últimas seis Eurocopas. E se preparem porque ano que vem tem a Copa do Mundo feminina no Brasil e a Espanha é o país que mais investe no futebol feminino, da base ao profissional.
A seleção feminina é a atual campeã mundial, bicampeã da Liga das Nações e vice da Eurocopa de 2025, perdendo a final para aquela que é atualmente a grande rival, a Inglaterra.
A Espanha é o primeiro país a deter simultaneamente os títulos da Copa do Mundo masculina e feminina, o que mostra o fruto das sementes plantadas durante anos e anos de planejamento e execução. Isso diz muito no futebol espanhol no seu todo: ter um plano e colocá-lo em prática com muito trabalho. Os espanhóis não brincam em serviço e encaram o esporte como uma coisa muito séria.
Veja a final da Champions League desse ano, com PSG e Arsenal se enfrentando com dois técnicos espanhóis no comando de um time francês e outro inglês. As finais da Europa League e Conference também tinham técnicos espanhóis, Unai Emery no Aston Villa e Iñigo Pérez no Rayo Vallecano. O treinador do Liverpool no ano que vem sera Andoni Iraola, outro espanhol que brilhou na Premier League levando o modesto Bournemouth à Champions.
Não há motivos para pensar que esse grupo subirá no salto ou mudará de atitude no ciclo que acaba de começar. Eles venceram a Euro quando ninguém acreditava neles e tinham motivos de sobra para usar aquele título para se afirmar. Pelo contrário, cresceram, amadureceram e se fortaleceram ainda mais.
Já parou para pensar que o Lamine vai chegar à próxima Copa com apenas 22 anos?! Que Pau Cubarsí foi eleito melhor zagueiro da Copa sendo um adolescente?!
Com a segunda estrela na camisa, a Espanha virou cachorro grande na hierarquia do futebol mundial. E ai de quem se se atreva a duvidar.
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