Cabo Verde criou área de isolamento e equipa multidisciplinar para eventual assistência ao navio Hondius, após três mortes e casos de síndrome respiratória aguda, anunciou hoje o Governo
O arquipélago ativou um dispositivo de contingência na sequência da chegada, no domingo, do navio de bandeira holandesa Hondius a águas cabo-verdianas. A embarcação transporta 147 pessoas – entre passageiros e tripulação – oriundas de 23 nacionalidades. A bordo, três mortes foram associadas a uma síndrome respiratória aguda, o que levou as autoridades locais a não autorizarem desembarques nem a atracagem no porto da Praia.
A diretora nacional de Saúde, Ângela Gomes, explicou que o hospital já preparou uma área com capacidade para isolamento, caso venha a ser necessário. “Foi constituída uma equipa dedicada, com médicos, infecciologistas, enfermeiros e técnicos de laboratório, para dar suporte aos doentes a bordo e, se necessário, também em terra”, afirmou. Sublinhou que, para já, não há necessidade de transferência dos passageiros para unidades hospitalares, mas qualquer eventual transporte será reavaliado com o mais elevado nível de segurança.
Entretanto, na ilha da Ascensão, um passageiro foi retirado do barco e transportado para os cuidados intensivos na África do Sul – sendo este o único caso confirmado de hantavírus. A Organização Mundial da Saúde já tinha adiantado à Lusa que pelo menos uma infeção por aquele vírus raro, associado sobretudo a roedores, fora confirmada em laboratório. Existem ainda três passageiros com sintomas ligeiros, compatíveis com uma síndrome viral comum, e as amostras recolhidas estão a ser analisadas. Até ao momento, não há confirmação de ligação entre estes casos e o hantavírus, estando em curso uma investigação.
Ângela Gomes destacou que Cabo Verde cumpriu os protocolos internacionais, recusando o desembarque e a atracagem. A cooperação envolve as estruturas de saúde e portuárias locais, com suporte da OMS e em ligação com autoridades dos Países Baixos – país de origem do navio – e do Reino Unido, de onde é natural pelo menos uma das pessoas afetadas. Esta articulação, segundo a responsável, “tem permitido uma resposta célere e tecnicamente coordenada”, incluindo a possibilidade de transferência aérea dos pacientes. As autoridades garantem que a situação está sob controlo e não representa risco para a população cabo-verdiana.
O cruzeiro fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, tendo realizado paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. A Oceanwide Expeditions, empresa responsável pela operação, informou à Associated Press que o corpo da terceira vítima ainda se encontrava a bordo em Cabo Verde e que a sua prioridade era garantir que dois tripulantes doentes recebessem assistência médica. Um cidadão português integra a tripulação – fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que, até ao momento, não solicitou assistência diplomática.
NR/HN/Lusa
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