A recuperação da demanda por caminhões no Brasil ajudou a impulsionar os pedidos da Traton na América do Sul no primeiro semestre de 2026. O grupo alemão, controlador de marcas como Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus, MAN e International, registrou crescimento de 22% nas encomendas de caminhões na região no período, segundo os resultados divulgados pela companhia.
A Traton atribuiu parte desse desempenho ao mercado brasileiro e ao programa Move Brasil, iniciativa de financiamento para renovação de frota que estimulou a aquisição de veículos comerciais no país.
No resultado global, a companhia registrou 181,9 mil pedidos de veículos entre janeiro e junho de 2026, alta de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas somaram 151,5 mil unidades, recuo de 1% na comparação anual, indicando uma recuperação das encomendas em relação ao ritmo de entrega.
A melhora da demanda veio acompanhada de avanço nos indicadores financeiros. A receita do grupo alcançou 22 bilhões de euros no primeiro semestre, enquanto o resultado operacional ajustado cresceu 12%, para 1,5 bilhão de euros.
A margem operacional ajustada da Traton passou de 6,3% no primeiro semestre de 2025 para 7% neste ano. Segundo a companhia, o desempenho reflete uma combinação de maior eficiência operacional, melhora da composição de vendas e controle de custos.
Scania e Volkswagen sustentam rentabilidade
Entre as marcas do grupo, Scania e Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentaram margens operacionais acima da média consolidada da Traton.
A Scania encerrou o primeiro semestre com margem operacional ajustada de 11,3%. Já a Volkswagen Caminhões e Ônibus alcançou margem de 10,5%, apesar dos impactos negativos relacionados à variação cambial. As duas marcas têm operações industriais no Brasil. A Volkswagen Caminhões e Ônibus mantém fábrica em Resende (RJ), enquanto a Scania produz caminhões em São Bernardo do Campo (SP). As empresas possuem forte presença nos segmentos de caminhões pesados e extrapesados, especialmente ligados ao agronegócio e ao transporte de longa distância.
O desempenho brasileiro ocorre em um momento de disputa mais acirrada no mercado de caminhões, com a entrada de fabricantes chineses e a busca das montadoras tradicionais por maior participação em segmentos estratégicos.
Investimentos em eletrificação
Além da recuperação dos pedidos, a Traton mantém investimentos voltados à transição energética e à digitalização dos veículos comerciais. Em 2026, o grupo anunciou uma emissão de títulos verdes de 850 milhões de euros para financiar projetos relacionados a caminhões elétricos a bateria.
A companhia também trabalha no desenvolvimento de soluções digitais para ampliar a eficiência das frotas e reduzir custos operacionais para transportadores.
O avanço dos pedidos no primeiro semestre ocorre em um cenário global ainda desafiador para fabricantes de veículos comerciais, principalmente na Europa, onde a demanda segue pressionada por incertezas econômicas e pelo processo de transição para tecnologias de baixa emissão.
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