Bocalom defende estrada até o Peru e promete usar estrutura do Estado para fortalecer agricultura no Acre

O candidato ao governo do Acre e ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), defendeu nesta quarta-feira, 2, a construção de uma estrada que ligue o Acre ao Peru e afirmou que o Estado poderia utilizar recursos e maquinário próprio para contribuir com a execução da obra, desde que haja autorização do Governo Federal.

Segundo Bocalom, a ligação com o país vizinho seria uma das prioridades de uma eventual gestão e caberia ao governador buscar, em Brasília, as condições necessárias para viabilizar o projeto.

“Claro que não é o Governo do Estado que vai fazer, mas o governador vai para cima do Governo Federal e nós vamos ajudar a fazer”, disse Bocalom.

O candidato questionou a falta de avanço na construção da estrada e afirmou que pretende cobrar do governo federal a execução do projeto.

“Se tá autorizado construir a estrada para o Peru, por que não construiu? Porque não teve governador. Não teve governo que pegasse e fosse para cima do Governo Federal”, acrescentou.

Bocalom também afirmou que pretende enfrentar eventuais resistências de organizações e ativistas ambientais à obra e citou nominalmente a candidata ao Senado Marina Silva.

“Eu vou para cima de ONG, de Marina Silva, de quem quer que for”, declarou.

Estrada é relacionada ao escoamento da produção

Ao defender a ligação terrestre com o Peru, Bocalom relacionou a obra ao escoamento da produção agrícola do Acre e à possibilidade de ampliar o acesso dos produtores acreanos ao mercado internacional.

O café foi um dos produtos citados pelo candidato. Segundo ele, parte da produção atualmente precisa ser levada até Santos, no litoral de São Paulo, antes de seguir para outros países.

“O nosso povo que produz café aqui mesmo, o cooperativo de café, tá dando um show, tá produzindo café, todo mundo produzindo café, ganha dinheiro, mas o café tá indo para Santos, homem!”, afirmou.

Na avaliação de Bocalom, uma rota pelo Peru poderia reduzir a distância percorrida pela produção até os portos e, consequentemente, os custos de transporte.

“Para ir para a China o café vai a Santos. Anda 4.000 km de estrada, sendo que aqui com 800 km tá no porto e tá muito mais perto da China”, disse.

O candidato também associou a redução dos custos de transporte à possibilidade de aumento da remuneração dos produtores.

“Essa estrada aqui é desenvolvimento, é qualidade de vida, é oportunidade de vender o café daqui, de Mâncio Lima, de Cruzeiro, vender o café por aqui e ganhar mais R$ 100, R$ 150 por saco, porque não tem o frete até Santos”, afirmou.

Cageacre e complexo agroindustrial

Além da infraestrutura de transporte, Bocalom apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar. Entre elas está a recriação da Companhia de Armazéns Gerais e Entrepostos do Acre (Cageacre) e a implantação de um complexo agroindustrial para atender pequenos produtores.

A estrutura, segundo o candidato, teria máquinas e equipamentos destinados ao beneficiamento de diferentes produtos, como arroz, feijão, milho, café e cacau.

“Vamos montar assistência técnica aqui no Estado do Acre, nós vamos refazer a nossa Cageacre, vamos botar um galpão grande com as máquinas de beneficiamento para arroz, feijão, milho, entendeu? Café, cacau se for necessário”, afirmou.

A proposta inclui uma estrutura para dar suporte aos agricultores em diferentes etapas da produção, desde a assistência técnica até o beneficiamento dos produtos.

“Então a gente vai montar todo um complexo agroindustrial aqui para poder atender a agricultura familiar”, declarou.

Assistência técnica

Bocalom também defendeu a ampliação da assistência técnica aos agricultores. Ele citou conversas recentes com produtores interessados em investir no cultivo de café e que, segundo ele, enfrentam dificuldades pela falta de acompanhamento especializado.

“Ontem eu falei bem com uns quatro querendo plantar café e não tem assistência técnica. Tem que ter. Tem que ter assistência técnica para fazer o projeto, entendeu? Para poder acompanhar, porque dá doença, dá praga”, afirmou.

 

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