O Banco de Portugal irá apresentar nas próximas semanas algumas medidas no sentido de “arrefecer” a concessão de crédito à habitação no país, que tem sido dinamizada pela garantia pública aos jovens. Uma das opções poderá ser um novo aumento do “choque” de taxas de juro simulado no momento da concessão de crédito – que serve para calcular o impacto de eventuais subidas das Euribor nas taxas de esforço das pessoas – mas outras medidas de redução do risco estão a ser avaliadas.
Segundo a informação recolhida pelo Observador, poderá estar iminente um novo aumento da chamada “taxa de stress”, que até finais de 2023 era de três pontos percentuais mas nessa altura passou para 1,5 pontos percentuais.
Isso significa que, quando um banco concede crédito à habitação, olha para as taxas de juro atuais, soma-lhes o spread (margem de risco do banco) e acrescenta-lhes mais 1,5 pontos percentuais. E só se o valor da prestação ficar abaixo de 50% do rendimento (idealmente, não mais de um terço) é que o crédito pode ser concedido.
A redução desse valor do “choque” simulado foi algo que tornou mais fácil a concessão de crédito, sobretudo à medida que, depois disso, os indexantes de crédito voltaram a descer – embora não tenham descido para os valores nulos ou até negativos que houve durante vários anos. As taxas Euribor têm, nesta fase, oscilado entre os 2% e os 2,5%, conforme os prazos.
Esta é uma medida que surge em contraciclo com aquilo que são as decisões políticas. O Governo vai, noticiou o jornal Eco, injetar mais 750 milhões de euros neste regime, elevando o envelope total para 2.300 milhões, quase o dobro do montante inicialmente atribuído. Porém, a medida continua a vigorar só até ao final de 2026, a menos que seja prorrogada – algo que não seria bem recebido no Banco de Portugal, sabe o Observador.
Um em cada quatro clientes que compraram casa em 2025 pediu ao banco entre 90% e 100% do valor
Segundo dados recentes do Banco de Portugal, uma em cada quatro pessoas que pediram crédito para compra de casa em 2025, especificamente para habitação própria e permanente, obteve dos bancos um financiamento entre 90% e 100% do valor da casa – algo que só foi possível graças à garantia pública que o Estado passou no final de 2024/início de 2025 a dar às pessoas com até 35 anos de idade.
Com a introdução dessa garantia, a percentagem de clientes que excedem o máximo dos 90% é já maior do que era em 2018, quando o Banco de Portugal sentiu necessidade de introduzir um limite. O “perfil de risco dos mutuários deteriorou-se” em 2025, avisou o supervisor, num alerta que já foi um pré-aviso das alterações que serão anunciadas nas próximas semanas.
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