Baixa testosterona em homens jovens acende alerta para hábitos da vida moderna

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A saúde hormonal masculina voltou ao centro das discussões após o cantor Zé Felipe revelar recentemente ter sido diagnosticado com testosterona baixa. O tema tem despertado atenção de especialistas, principalmente pelo aumento de casos em homens mais jovens, associado a fatores ligados ao estilo de vida moderno.

Produzida principalmente nos testículos, a testosterona exerce funções importantes no organismo masculino, influenciando o desenvolvimento muscular, a densidade óssea, a produção de glóbulos vermelhos, além do bem-estar físico e mental.

Embora a redução hormonal aconteça naturalmente com o envelhecimento, em alguns casos a queda é mais acentuada e caracteriza um quadro chamado hipogonadismo.

Segundo o médico Caio Galvão, hábitos cada vez mais comuns na rotina atual têm contribuído para esse cenário.

“Temos uma sociedade cada vez mais sedentária, dormindo com má qualidade, com os níveis de obesidade cada vez maiores, além dos disruptores endócrinos, que podem causar uma deficiência na produção hormonal no corpo”, explica.

Entre os fatores relacionados à queda da testosterona estão obesidade, sedentarismo, estresse crônico, má qualidade do sono e doenças metabólicas. Em homens jovens, a deficiência pode comprometer a puberdade. Já nos adultos, os sintomas mais frequentes incluem perda de massa muscular, diminuição da libido, fadiga e dificuldade de recuperação física.

O médico alerta ainda para impactos mais amplos na saúde. A deficiência hormonal pode aumentar os riscos de osteoporose, fraturas, sarcopenia — perda progressiva de massa muscular — além de favorecer o acúmulo de gordura abdominal, fator associado ao diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

“Estudos sugerem que, com a deficiência, é maior o índice de infartos e AVCs. Além disso, a testosterona regula a distribuição de gordura no corpo”, destaca Caio Galvão.

A baixa testosterona também pode afetar diretamente a vida sexual e reprodutiva, causando perda de libido, disfunção erétil e redução na produção de esperma.

Para minimizar os impactos, o especialista defende mudanças no estilo de vida, com foco em alimentação equilibrada, prática de atividade física e melhora da qualidade do sono.

“O que podemos fazer é ter um estilo de vida mais saudável. Treino de força é muito importante, ter um sono de qualidade e uma alimentação regulada. Temos recebido em consultório pacientes mais novos buscando ajuda pela baixa de testosterona devido a esse estilo de vida moderno”, afirma.

Segundo ele, apesar de a perda hormonal natural ocorrer, em média, a partir dos 40 anos, alguns homens entre 25 e 30 anos já apresentam redução significativa dos níveis hormonais, o que exige investigação médica.

O especialista também faz um alerta sobre o uso indiscriminado de substâncias sem comprovação científica.

“Precisamos alertar que é ineficaz e muito perigoso fazer uso de medicações que não têm comprovação científica e que não são vendidas em farmácia. As pessoas estão colocando suas vidas em risco e impactando até mesmo os níveis fisiológicos normais de testosterona”, ressalta.

Por fim, Caio Galvão destaca a relação entre obesidade e deficiência hormonal, apontando um ciclo que pode agravar ambos os quadros.

“O paciente obeso tende a ter deficiência de testosterona e, ao mesmo tempo, níveis baixos do hormônio favorecem o acúmulo de gordura abdominal. Ao tratar a obesidade e perder entre 10% e 15% do peso, muitos pacientes conseguem recuperar naturalmente a produção hormonal”, conclui.

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