As muitas contradições e lacunas no acordo anunciado por Trump de controle do petróleo venezuelano

Trump anunciou o controle americano sobre 17 “campos estratégicos” por cem anos. Rodríguez, porém, falou em um prazo de 25 anos. O acordo enfrenta oposição tanto à esquerda quanto à direita venezuelanas. A esquerda venezuelana lembra que Hugo Chávez sempre apresentou o petróleo como instrumento de independência nacional. O chavismo se consolidou, entre outras razões, em torno da defesa do controle dos recursos naturais pelo Estado como forma de financiar o desenvolvimento do país. A história, como se sabe, acabou tomando outro rumo, marcada por uma profunda crise econômica, política e institucional.

Do outro lado, setores da oposição de direita , representado por María Corina Machado, não foi ouvido antes de se firma o entendimento com o governo americano, e seus interlocutores e assessores já indicaram que, em um eventual governo de oposição na Venezuela, o acordo firmado com os Estados Unidos poderia ser revogado. Portanto, não há, neste momento, garantia de continuidade do entendimento anunciado por Trump.

Segundo o presidente americano, o petróleo venezuelano seria utilizado para a recomposição das reservas americanas. Entretanto, uma coisa é anunciar o acordo; outra, muito diferente, é torná-lo realidade. Há obstáculos políticos importantes, com oposição tanto à direita quanto à esquerda, além da fragilidade de um governo provisório. Soma-se a isso um problema estrutural: a enorme necessidade de investimentos na infraestrutura de produção de petróleo da Venezuela.

O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas, ao longo dos anos, as sucessivas crises enfrentadas durante o chavismo contribuíram para o sucateamento de sua indústria petrolífera. Será necessária, portanto, uma grande injeção de recursos para recuperar a capacidade produtiva venezuelana e colocar novamente em funcionamento uma estrutura que perdeu parte significativa de sua capacidade operacional.

O que chama a atenção, além das dúvidas sobre a viabilidade do plano, é a forma como um país sul-americano e seus recursos naturais são tratados. O tom das declarações de Trump parece voltar mais de um século, com um tom colonialista, que remete a uma época em que os Estados Unidos exerciam uma relação de forte tutela política e econômica sobre países da América Latina e sobre seus recursos naturais.

Enquanto isso, o mercado de petróleo reage às tensões geopolíticas, com o preço do barril em alta nesta manhã, chegando a US$ 90, em meio aos novos ataques americanos ao Irã.

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