Luanda – Em Angola, o antigo traficante de droga, Gelson Quintas, também conhecido por “Man Genas”, e a esposa, Clemência Vumi, começaram a ser julgados nesta sexta-feira, 26 de Junho, em Luanda, mas, desta vez, por alegadas ofensas ao Presidente João Lourenço. Entretanto, a audiência foi suspensa. Um dos discos que, para o Ministério Público, contém elementos relevantes para a descoberta da verdade material, encontra-se danificado.
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O arguido já tinha sido condenado, há quase um ano, a uma pena de três anos e seis meses de prisão efectiva, enquanto a mulher tinha sido sentenciada a três anos de prisão, com pena suspensa de dois anos, por calúnia ao ex-ministro do Interior, Eugénio Laborinho.
Esta sexta-feira, no Tribunal da Comarca de Luanda, arrancou o julgamento de “Man Genas” e a esposa Clemência Vumi, pelos crimes de associação criminosa, ultraje ao Estado, aos símbolos e órgãos, assim como a de instigação pública ao crime.
No primeiro dia da sessão, os declarantes Eugénio Laborinho, antigo ministro do Interior, e o ex-director-geral adjunto do Serviço de Investigação Criminal, SIC, Fernando Manuel Bambi Receado, não compareceram à sessão.
Em tribunal, “Man Genas”, de 47 anos, negou ter sido o autor de um vídeo a ofender João Lourenço, mas admite ter partilhado, nas suas redes sociais, uma gravação de vídeo onde um cidadão colocava em causa o actual Presidente angolano.
Em relação à suspensão da audiência pela degradação de um dos discos como elemento de prova, o advogado do casal, Alberto Quixinacho, diz não se opor à suspensão, mas desconfia existirem manobras políticas que visam beliscar o processo.
Hoje, felizmente, tivemos uma audiência tranquila, tivemos uma discussão nos marcos da lei, mas esperemos que assim continuemos, porque o que vai determinar não é o princípio do processo, mas sim o final do processo. Lamentavelmente, sobre o processo do Gelson Emanuel Quintas, às vezes conseguimos sentir alguma politiquice dentro do processo.
Porquê?
Repare, ainda na fase de instrução preparatória, nós interpusemos três habeas corpus ao juiz presidente da Comarca de Luanda. Não se respondeu a nenhum deles.
Recorde-se que, em 2023, “Man Genas” e a esposa refugiaram-se em Moçambique, alegando perseguição, por denunciar, nas redes sociais, o alegado envolvimento de altas patentes de defesa e segurança no tráfico de drogas. No início de 2024, o casal foi deportado de Maputo para Luanda e à chegada ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, o ex-traficante foi detido. Ele e a mulher são agora acusados de calúnia e difamação.
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