Angola quer acrescentar capacidades na exploração e refinação e considera que a China é o país que melhor pode contribuir para isso. Neste contexto, o Corredor do Lobito é uma infraestrutura prioritária.
Angolan President Joao Lourenco poses for a photo on the day of a meeting with U.S. Secretary of State Antony Blinken at the Presidential Palace in Luanda, Angola, January 25, 2024. Andrew Caballero-Reynolds/Pool via REUTERS/File Photo
Angola está a consolidar as suas relações com a China, tendo a recente visita do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás e da Sonangol a Pequim sublinhado um novo impulso à cooperação ao longo de toda a cadeia de valor do petróleo e do gás. As reuniões – que abrangem o investimento a montante, as infraestruturas de refinação, o desenvolvimento de competências e a mineração – “refletem um esforço coordenado para alinhar a agenda de desenvolvimento de Angola com o capital e os conhecimentos técnicos chineses”, refere um comunicado da Angola Oil & Gas, estrutura de encontro da indústria organizada pelo setor privado, mas que conta com o alto patrocínio do governo angolano.
O reforço da cooperação económica e o apoio às empresas chinesas que procuram oportunidades em Angola “estiveram no centro das reuniões realizadas entre o ministro angolano Diamantino Azevedo, o seu homólogo chinês Guan Zhi’ou e o vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zhou Haibing”. O aprofundamento das relações bilaterais no âmbito da indústria é olhado com especial interesse, “especialmente num momento em que o país procura equilibrar o crescimento da produção, a industrialização e a segurança energética”.
Com o objetivo de manter a produção de petróleo acima de um milhão de barris por dia (bpd) a médio prazo, Angola está a intensificar o diálogo com as empresas para impulsionar a exploração. “Uma próxima ronda de concessões, melhores condições fiscais e estruturas contratuais mais flexíveis constituem a espinha dorsal desta estratégia, abrindo caminho a uma maior participação das empresas chinesas”.
Neste quadro, a Sinopec – uma das maiores petroquímicas do mundo, de origem chinesa – e a angolana Sonangol prometem acrescentar cooperação mútua, não sendo esta uma novidade: as duas empresas respondem por uma ‘joint venture’, a Sonangol Sinopec International, “mas as discussões apontaram para uma colaboração mais ampla nas áreas da refinação, petroquímica e fornecimento de equipamentos”.
Lobito como referência estratégica
O setor a jusante representa outro ponto de entrada fundamental para o investimento chinês, nomeadamente na refinação. A Sonangol procura atualmente angariar 4,8 mil milhões de dólares para o desenvolvimento da Refinaria de Lobito, com uma capacidade de 200 mil bpd, “que deverá tornar-se a maior instalação do país assim que a primeira fase entrar em funcionamento em 2027. No início deste ano, a Sonangol confirmou que está em negociações com investidores chineses para financiar parcialmente o projeto”.
A Sonangol reuniu também com a China Chemical Engineering International Corporation (CNCEC) para analisar o estado do projeto técnico e da implementação da primeira fase, sendo parte chinesa a principal empreiteira. Ao acelerar o projeto de Lobito, “Angola pretende expandir a capacidade de refinação nacional para além dos atuais 65 mil bpd, reter mais valor no país e reforçar a segurança energética”.
Para além do desenvolvimento de projetos, “Angola está também a aproveitar a sua relação com a China para dar resposta a um obstáculo estrutural: o capital humano. As conversações com a Universidade de Petróleo da China (UPC) apontam para um impulso mais deliberado no sentido da cooperação académica e técnica, com foco na formação de profissionais angolanos em todo o setor do petróleo e do gás”. Um maior entendimento entre a UPC e o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências da Sonangol está na calha. “O acordo abrangeria programas de formação avançada, iniciativas conjuntas de investigação e a integração com o Centro de Investigação e Desenvolvimento que a Sonangol tenciona criar. Ao integrar o desenvolvimento de competências no seu compromisso bilateral, Angola não está apenas a importar conhecimentos especializados, mas também a reforçar as capacidades nacionais”.
Conferência em setembro analisa o ‘estado da arte’
Uma das competências da Angola Oil & Gas (AOG) é a organização de uma conferência de exposição do ‘estado da arte’ e de harmonização dos entendimentos entre as diversas partes interessadas. A próxima conferência está prevista para setembro e “deverá desempenhar um papel fundamental no aprofundamento das relações entre Angola e a China”. Com oportunidades no setor de exploração e produção, projetos de refinação e iniciativas de reforço de capacidades em cima da mesa, a AOG oferece uma plataforma estruturada para que os investidores chineses, os decisores políticos angolanos e as partes interessadas internacionais cheguem a um consenso sobre as prioridades e as vias de execução. Para as entidades ligadas ao setor, a pergunta decisiva é a seguinte: O mercado está em sobressalto, mas a questão para Angola é mais fria: saber se consegue usar o choque externo para construir capacidade interna duradoura”. As alianças externas são, neste contexto, fundamentais, não só para dividir riscos, mas também para otimizar o desenvolvimento do setor.
Venda de petróleo atingiu 7,16 mil milhões de dólares no trimestre
Angola arrecadou, no primeiro trimestre deste ano, 7,16 mil milhões de dólares (6,1 mil milhões de euros) com a venda de petróleo, um aumento de 10,18% face ao período homólogo de 2025. Os dados foram divulgados pelo secretário de Estado para o Petróleo e Gás de Angola, José Barroso, na apresentação do balanço das realizações do mercado de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026. José Barroso destacou que o preço médio do brent no período em análise foi de 81,131 dólares por barril, representando um aumento de cerca de 27,3% comparativamente ao trimestre anterior e de 7,13% relativamente ao período homólogo de 2025. No primeiro trimestre do ano em curso, a comercialização angolana foi realizada ao preço médio de 83,05 dólares por barril. Segundo José Barroso, o volume exportado representou uma diminuição de 9,14% face ao quarto trimestre de 2025 e de 0,9% em relação ao período homólogo de 2025. A China manteve-se como o principal destino das exportações angolanas, absorvendo 55,63% do total, seguindo-se a Índia com 16,31%, a Indonésia com 5,75% e a França com 4,17%.
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