Angola continua com limitações que travam potencial do setor energético

Angola continua a apresentar debilidades que limitam o acesso e distribuição de eletricidade à população e setores económicos, apesar do potencial existente e dos “progressos significativos”, segundo a análise do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) divulgada hoje.


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A conclusão surge no Relatório da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento em Angola 2016-2025, hoje tornado público, em Luanda, e segundo o qual o país realizou progressos significativos na expansão das energias renováveis e na transição para um sistema elétrico mais sustentável, “mas as limitações estruturais e de conectividade continuam a limitar todo o potencial do setor”.

Neste relatório, o BAD refere que o acesso à eletricidade em Angola aumentou menos de 10 pontos percentuais, passando de 41,8% da população, em 2016, para 51,1%, em 2023, enquanto a produção de eletricidade quase duplicou, de 11 terawatt-hora (TWh) para 19 TWh (unidade de medida de potência elétrica), no mesmo período.

O estudo, que retrata os investimentos da instituição bancária em vários setores da economia angolana, dá conta que o investimento em grandes centrais hidroelétricas elevou a participação das energias renováveis na matriz energética de 52,6% para 76,3%, “posicionando Angola entre os líderes regionais em termos de eletricidade limpa”.

“As perdas no transporte e distribuição melhoraram modestamente [baixando de 10,6% para 9,6%], embora persistam disparidades significativas entre as regiões”, lê-se.

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De acordo com o BAD, apesar dos progressos impressionantes, vários condicionalismos estruturais continuam a impedir o desempenho, nomeadamente as tarifas, que permanecem muito abaixo dos custos, mesmo após o último ajustamento para 9,9 kwanzas (perto de um cêntimo do euro)/kWh.

Os custos de produção permanecem em torno dos 22 kwanzas (pouco mais de dois cêntimos)/kWh, aponta.

Assinala-se no relatório que a rede nacional de eletricidade “ainda está fragmentada” em três sistemas desconectados – norte, centro e sul -, “o que impede a transferência da geração excedente de energia para regiões mal servidas”.

A eletrificação a nível do país “continua a ser baixa, com cerca de 43% a nível nacional e menos de 10% nas zonas rurais”, prossegue, apontando ainda “elevadas perdas técnicas e comerciais de cerca de 35% e taxas de cobrança de faturas inferiores a 80%”.

Estas restrições, acrescenta o BAD, “comprometem a viabilidade financeira do setor e restringem a capacidade dos serviços de utilidade pública de modernizar os ativos, expandir o serviço e reduzir as faltas de eletricidade”.

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O BAD anunciou hoje que desembolsou cerca de 2,9 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros) em Angola, nos últimos dez anos, para apoiar os setores da energia, água, agricultura, saneamento, governação, juventude, empreendedorismo e inovação.

Pietro Toigo, representante residente da instituição em Angola, referiu, na ocasião, que os 2,9 mil milhões de dólares investidos no país africano lusófono representaram um crescimento exponencial na última década.

O relatório foi apresentado em Luanda durante uma cerimónia realizada pelo BAD em parceria com o Ministério do Planeamento de Angola.

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