Angola acena a empresários do Brasil e mira parcerias em frango e ovos

ENVIADA ESPECIAL A LUANDA (ANGOLA) – O governo angolano recebeu nesta terça-feira, 11, uma comitiva de empresários brasileiros e demonstrou, segundo participantes da reunião, interesse em intercâmbio entre empresas locais e empresas brasileiras do ramo de proteína animal, mais especificamente da área de carne de frango e ovos. As oportunidades de investimentos no país, porém, têm desafios de regulação e de financiamento.

A iniciativa, comandada pelo Lide, grupo de líderes empresariais, envolveu reunião na Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola e também no Ministério do Turismo do país africano.

‘Por que não investir na África?’, pergunta Roberto Giannetti da Fonseca Foto: WJRVisuals/Adobe Stock

O economista e ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) Roberto Giannetti da Fonseca participou das conversas. Ele afirmou que há interesse de empresas “do primeiro time do agronegócio no Brasil” em parcerias na região. “Ainda não estamos autorizados a falar em nomes, mas há empresas com décadas de experiência, que sempre foram voltadas para o mercado interno, e agora estão olhando e dizendo: ‘Por que não investir na África?’”, disse.

Ele afirmou que o continente africano é a nova fronteira do agronegócio brasileiro, com a oportunidade para que companhias brasileiras produzam a partir da Angola, por exemplo, não apenas no sentido de garantir segurança alimentar para a região, mas também com foco em exportação. Ele citou como exemplo a necessidade chinesa de diversificar as importações brasileiras de soja, que poderia ser encaminhada pelas próprias produtoras brasileiras passando a exportar de outras localidades.

“Nós não podemos ter o agronegócio só no Brasil, o agronegócio brasileiro hoje extrapolou a fronteira. Nós temos de olhar o mundo e a África como o primeiro passo para a internacionalização de uma forma consciente e definitiva do agronegócio brasileiro”, afirmou o economista.

Além disso, ele lembra que buscar novos mercados é a principal alternativa brasileira à imposição de tarifas para importação em outros países, como aconteceu com produtos brasileiros nos Estados Unidos.

Um mercado que pode chegar a meio bilhão de pessoas

Presidente do Lide Angola, o empresário angolano Venceslau Andrade disse que, somada à população de países próximos, o mercado ao qual o país africano dá acesso chega a 500 milhões de habitantes. “Os investidores hoje podem ter aqui o conforto de investirem em Angola e terem a certeza de que existe consumo não só aqui, como também nos países nos arredores”, disse.

“Há um interesse real do governo angolano para que as empresas brasileiras que atuam nesse setor não só exportem para cá, dentro da chamada segurança alimentar, como também na implantação destas empresas aqui em território angolano”, afirmou o co-chairman do Lide e ex-governador do Estado de São Paulo, João Doria.

A ex-ministra da Agricultura Katia Abreu, recém filiada ao PT, participou das conversas e afirmou, em conversa com jornalistas, que o país já oferece infraestrutura melhor e que há vontade política de pavimentar o caminho para essas parcerias, apesar de ainda haver entraves para maiores investimentos. Um deles é o fato das terras da região funcionarem em sistema de concessão pública, pertencendo ao governo.

Giannetti lembrou ainda que o financiamento de projetos é um desafio no continente. “Financiar projetos na África não é fácil. É preciso muita engenharia financeira, criatividade e relacionamento com os grandes bancos internacionais”, afirmou. Ele disse ser possível buscar financiamentos baseados nos recebíveis de projetos de mineração e do agronegócio, por exemplo.

O economista mencionou ainda a necessidade de buscar apoio junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no desenvolvimento de garantias que permitam que os projetos brasileiros sejam viáveis na região.

A repórter viajou a convite do Lide

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