Ajudar outras pessoas está ligado a cérebros com aparência mais jovem na idade adulta (mesmo levando em consideração o estilo de vida)

Pesquisadores da Universidade de Georgetown, da Universidade Emory e da Universidade de Wisconsin-Madison realizaram um estudo investigando a possibilidade de que o tempo gasto apoiando outras pessoas esteja associado à saúde cerebral.

  • Ataque hacker: Einstein é alvo e dados de pacientes são acessados sem autorização
  • Pão de fermentação natural ou pão integral: qual é o melhor para a saúde?

As descobertas, publicadas na revista Translational Psychiatry, sugerem que os cérebros de pessoas que relatam passar mais tempo apoiando outras pessoas aparentam ser mais jovens — em relação à sua idade real — do que os de pessoas que relatam passar menos tempo ajudando os outros.

A maioria dos estudos anteriores, concentrou-se principalmente nos possíveis benefícios para a saúde de receber apoio social ou interagir regularmente com outras pessoas e não nos benefícios potenciais de apoiar e ajudar os outros.

Para chegar nos resultados, os pesquisadores analisaram dados coletados como parte do estudo Midlife in the United States (MIDUS). Trata-se de um estudo de grande escala que reuniu dados relacionados à saúde e ao bem-estar de milhares de adultos residentes nos Estados Unidos.

Para estimar a idade cerebral aparente de cada participante em relação à sua idade real, a equipe utilizou uma medida chamada BrainAGE. Trata-se essencialmente de um valor que representa a diferença entre a idade cerebral estimada de uma pessoa e sua idade real. Os pesquisadores então utilizaram métodos estatísticos para investigar a relação entre os valores de BrainAGE e a frequência com que as pessoas relataram ajudar os outros.

  • Caneta emagrecedora, bariátrica: o que dizem as novas orientações da OMS para o tratamento de crianças e adolescentes com obesidade

“Utilizando dados do estudo MIDUS, testamos se o total de horas mensais dedicadas ao apoio instrumental e emocional prevê, de forma prospectiva, uma lacuna na estimativa da idade cerebral (BrainAGE), um biomarcador transdiagnóstico de distúrbios neurodegenerativos, condições psiquiátricas e mortalidade”, escreveram Minwoo Lee, James K. Rilling e seus colegas em seu artigo.

Segundo os autores, o BrainAGE foi estimado com um algoritmo de aprendizado de máquina treinado para prever a idade cronológica a partir de exames de ressonância magnética estrutural.

“Combinando regressão hierárquica com bootstrapping e seleção de variáveis baseada em dados, descobrimos que um maior suporte social estava significativamente associado a um cérebro com aparência mais jovem para uma determinada idade cronológica”, disseram.

Os pesquisadores descobriram que, entre os participantes do estudo MIDUS incluídos na análise, aqueles que relataram dedicar mais tempo a ajudar os outros apresentaram estimativas de idade cerebral (BrainAGE) mais baixas. Essa ligação entre apoiar os outros e um cérebro com aparência mais jovem pareceu persistir mesmo quando outros fatores foram considerados, incluindo saúde geral, estilo de vida, circunstâncias sociais e o apoio recebido de outras pessoas.

“Essa associação persistiu mesmo após o controle de um conjunto abrangente de covariáveis, incluindo características demográficas, condições de saúde, fatores de estilo de vida e contextos psicossociais mais amplos, incluindo o apoio social recebido”, escreveram os autores. “Notavelmente, a medida horária do fornecimento de apoio explicou a variância incremental no BrainAGE além dos índices baseados em papéis, como o status de cuidador ou o fato de ser avô ou avó.”

  • Psicólogos concordam: quem esquece nomes durante uma conversa provavelmente está sofrendo de sobrecarga mental

Os autores revelaram, entretanto, que apesar dos resultados, o estudo não comprova que ajudar os outros retarde o envelhecimento cerebral ou previna doenças. Estudos futuros poderiam explorar mais a fundo essa ligação entre ajudar os outros e a saúde cerebral, talvez tentando determinar como essa ajuda pode influenciar processos específicos relacionados ao envelhecimento cerebral.

“Nossos resultados destacam o comportamento pró-social cotidiano como uma possível via neuroprotetora na meia-idade e na velhice, com implicações para intervenções e políticas de envelhecimento saudável”, disseram os pesquisadores.

Agora, os pesquisadores acreditam que os resultados, se validados e comprovados em outras coortes, poderão potencialmente orientar a criação de novas intervenções que promovam o comportamento pró-social na idade adulta ou atividades específicas para idosos que envolvam ajudar os outros.

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.