ACIF apoia Bernardo Trindade na corrida à liderança da Confederação do Turismo de Portugal — DNOTICIAS.PT
A ACIF manifestou, esta quarta-feira, o seu apoio à candidatura de Bernardo Trindade à presidência da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), depois de uma reunião realizada na sede da associação empresarial madeirense, no Funchal.
António Jardim Fernandes justificou a posição da ACIF com o percurso do actual presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que reúne experiência política, governativa, empresarial e associativa. A circunstância de Bernardo Trindade ser madeirense é apontada como uma vantagem adicional, pelo conhecimento que tem da realidade regional e dos problemas específicos do turismo no arquipélago.
“Vamos estar mais próximos do que estamos hoje”, considerou o presidente da ACIF, embora tenha ressalvado o “bom trabalho” desenvolvido pela actual direcção da CTP. Jardim Fernandes entende que é diferente ter à frente da confederação alguém que “sente os problemas regionais” e consegue ter uma percepção mais rápida das especificidades da Madeira.
A gestão do território e dos percursos turísticos, a operacionalidade do Aeroporto da Madeira e a falta de recursos humanos estão entre as principais preocupações transmitidas pela ACIF ao candidato.
Bernardo Trindade, que escolheu a Madeira para iniciar uma segunda fase de contactos da candidatura, comprometeu-se a ser porta-voz dessas preocupações na CTP. Entre as questões abordadas, destacou precisamente a situação do aeroporto, afirmando que o primeiro semestre deste ano atingiu já aquilo que tinha sido o pior registo de operacionalidade, verificado em 2018.
Além de defender melhores condições na infra-estrutura para acolher passageiros nos períodos em que os voos ficam condicionados, o candidato considera necessário encontrar um “plano B” para estas situações. É neste contexto que aponta para Porto Santo como uma plataforma alternativa, com os passageiros a chegarem por via aérea àquela ilha e a serem posteriormente transportados por mar até à Madeira, de forma “segura” e “previsível”.
Outro dos temas abordados foi a gestão dos percursos turísticos. Bernardo Trindade considera positivo o caminho seguido na reorganização, registo e taxação do acesso, mas entende que o processo ainda não está concluído. Defende uma simplificação dos procedimentos, eventualmente através de uma plataforma com recurso à inteligência artificial, que permita facilitar as marcações, incluindo através das agências de viagens, hotéis e outros estabelecimentos de alojamento.
O candidato quer também maior participação das empresas e associações empresariais nas decisões sobre a utilização das receitas provenientes das taxas relacionadas com o turismo. Argumenta que hoteleiros e agentes de viagens mantêm contacto directo com os visitantes e recolhem informação que pode ajudar a decidir onde devem ser aplicados esses recursos.
Sobre o crescimento da actividade turística e os problemas de saturação registados noutros destinos, Bernardo Trindade defendeu a necessidade de regulação, mas afastou uma visão negativa do aumento da procura. Considera fundamental encontrar um equilíbrio entre visitantes e residentes e tornar mais visíveis para a população os benefícios proporcionados pelo turismo.
Nesse sentido, sugeriu que investimentos realizados com receitas das taxas turísticas sejam identificados como tal. Deu como exemplos desde um museu até equipamentos destinados à higiene urbana, defendendo que essa informação pode contribuir para que os residentes percebam de forma mais directa a aplicação das receitas geradas pelos visitantes.
António Jardim Fernandes acrescentou que a Madeira está “longe” de uma situação de saturação, embora reconheça a necessidade de continuar a organizar e regular a utilização do território. Segundo o presidente da ACIF, o crescimento das dormidas ronda este ano os 2%, o que indicia a entrada num “planalto”.
A estratégia regional, sustentou, deve passar agora pela criação de maior valor sem depender do aumento da quantidade de turistas. “A estratégia é claramente agora criar mais valor sem ter que ter mais quantidade”, afirmou.
Questionado sobre o aparecimento de outra candidatura à presidência da CTP, Bernardo Trindade garantiu que “absolutamente nada” muda no seu projecto. Recordou que a hotelaria não integra a direcção da confederação há 15 anos e afirmou que o sector considera que “este é o seu tempo”, salientando que a candidatura conta com o apoio unânime dos associados da AHP.
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